O observador
Cheguei e logo me enturmei com as pessoas do role. O garçom trouxe meu copo de cerveja e levou consigo qualquer resquício da minha vergonha.
Assim que me senti confiante para falar e olhar para todos os que chegaram antes que eu reparo que você já está me olhando. Se minha pele fosse branca eu teria ficado rosa de tanta vergonha, ainda mais depois do sorriso que você abriu ao perceber meu olhar em sua pele.
Os copos de cerveja vazios foram se acumulando a minha frente e a coragem foi crescendo dentro do meu peito. Agora eu não apenas te encaro! Sorrio de volta.
“Precisamos ir embora” dizem os amigos que me convidaram e alguns amigos deles. Digo que quero ficar, natural para quem está bem bêbado e chegou depois. Olho para você e percebo rapidamente seus lábios formarem a frase que eu queria ouvir: também quero ficar.
Todos se vão e nós decidimos ir para outro bar, no caminho nos conhecemos e você do nada me abraça. Seu cheiro e calor invadem meu corpo.
Minhas mãos se entrelaçam em volta de ti e naturalmente meus lábios procuram os seus. Nos beijamos. O beijo foi longo do jeito que eu queria, parecia que nossos corpos não queriam se desgrudar mais, viramos um por alguns minutos.
As horas passaram sem que percebêssemos e quando levantamos percebo que você está precisando de ajuda para andar. Decido te colocar num uber que chamei com seu próprio celular e 7 minutos de beijos e abraços você se vai.
Chego em casa, tomo banho e me preocupo com você! Quero saber se chegou em casa, se está bem e neste momento pego o celular para lhe enviar uma mensagem e percebo: Não tenho seu telefone.
Me resta agora a saudade dos seus beijos, a carência de sua presença e esperança de te encontrar novamente.
