Medidas Desesperadas dos Jornais Brasileiros

O quão iritante é entrar no site de um jornal para ler uma matéria e se deparar com uma mensagem que seu limite (!) de conteúdo estourou? 10 matérias por mês; e nada mais!

Jornais são velhos senhores que entraram na internet sem saber como agir. Cada vez mais suas receitas caem porque, dia a dia, surgem novos veículos para as pessoas se informarem e terem acesso a formadores de opinião.

Fato é que toda a indústria de comunicação no Brasil está cheia de gente aplicando velhos modelos de trabalho a uma sociedade completamente transformada. Está todo mundo na corda bamba o tempo todo. Excceto os publicitários, que ainda se dão bem porque são bons o bastante para convencer seus clientes de que suas ideias são as melhores do mundo. E continuam preguiçosos em suas agências imutáveis, presos na sua própria falta de visão.

Falta de visão essa que prejudica o mercado inteiro, afinal, é a publicidade a responsável por injetar dinheiro nos veículos de comunicação. E como ele mendingam cadastro e assinatura, alguma coisa está muito errada.

Cada tentativa dos jornais melhorarem suas receitas, mais barreiras elas criam — para pessoas impacientes como nós — , acessarem seu conteúdo.

O erro começa em achar que a internet é tudo. Seja bom fazendo jornal, entregue o jornal da maneira que as pessoas querem. Agora, só entre na internet quando você entender a noção de comunidade na internet; entender que se o cara não ler a informação no seu jornal, ele vai ler em outro (através de uma simples pesquisa no Google). Entenda que as pessoas, na internet, pagam por soluções, por coisas vantajosas que resolvem a sua vida, não por conteúdo e apenas conteúdo.

Vídeos, materiais especiais, podcasts. Ah, os jornais teriam tantas possibilidades. Eu compraria uma cobertura jornalística especial sore uma zona em conflito, sobre uma sociedade que não vemos, desde tribos distantes até o que acontece no underground das metrópoles. Eu aceitaria um spot em um podcast que comenta as notícias do dia — podcast, não um programa de rádio travestido de podcast.

Eu critico as medidas desesperadas dos jornais, porque eu sei que existem caminhos para fora do lamaçal. Soluções que eu gostaria e pelas quais eu pagaria.

Mas até que o jornal deixe de ser “o mesmo jornal da banca na internet” para ser produtor de conteúdo jornalístico multiplataforma, continuaremos nos irritando com essas mensagens de que não podemos ler mais que 10 matérias; e daremos espaço para produtores de conteúdo independente. Estamos de saco cheio.

É muito comum empresas antigas criticarem as novas; o taxista criticar o Uber e a TV por assinatura criticar a Neflix; difícil é assumir que eles tiveram a chance de mudar e continuar por cima da carne seca. Mas desperdiçaram.