A futebolização da política é irreversível

No Brasil a gente compara tudo com futebol. Vai passar o Super Bowl na TV, comparam todas as jogadas do football com o futebol de verdade.

O ex-Presidente Lula mesmo já explicou muita coisa fazendo analogias futebolísticas. O que realmente facilita a compreensão de grande parte da população.

Talvez até por isso, cada vez mais, a política está futebolizada.

Atualmente temos dois principais times. Petralhas e Coxinhas, usando os termos favoritos de cada rival.

Eles se vestem de cores diferentes. Um lado de vermelho e outro de amarelo.

Ambos têm torcidas organizadas. Aqueles que até cometem exageros tentando defender o próprio time. Recebendo ordens superiores, ou não. Muitas vezes até esquecem do real motivo da confusão, mas tão lá fazendo o que “devem”.

Se o juiz erra pro adversário, a gente lembra até daquele gol impedido da final do estadual de 47 para formular uma teoria de perseguição. E não aceitamos quem discorda.

Mas se ele erra a nosso favor, a gente diz que é assim mesmo, acontece, não tem nada de estranho nisso.

Se no time que torcemos tem um jogador safado, de péssimo caráter, que é conhecido por tudo que faz de errado, não reclamamos se ajudar nosso time a vencer.

Quando alguém fala mal do nosso time, a gente tira satisfação, acha um absurdo, e tem até quem briga por isso. Por mais que os dirigentes nem saibam quem somos nós, e bater em alguém não vá ajudar em nada.

Agora a Esplanada dos Ministérios está dividida em dois. Coxinhas de um lado e Petralhas do outro. Separamos por um cercas, e policiais, bem como se faz em estádios com torcidas rivais.

Para melhorar, o time vencedor vai poder dar uma volta olímpica, na Esplanada, assim que a torcida organizada adversária sair do estádio.

A maior diferença é que na política, quando seu time ganha, não significa que tá tudo bem. Não adianta sair correndo com bandeira e fazer buzinaço. É bem capaz de não mudar muita coisa, ou até mudar pra pior.

No futebol, se você vence com um gol roubado, o outro time perde. Mas na política, quando tem alguém roubando, todo mundo perde.

Se a gente não consegue separar futebol de política, podemos esquecer a votação do impeachment. Organizamos uma pelada na Esplanada. De um lado Coxinhas e do outro Petralhas. Coloca um juiz do Supremo para apitar e quem vencer escolhe o que faz com a presidente.

E, no final, mesmo quem discutisse durante o jogo, ia sair abraçado.