Entre o olho esquerdo e o nariz.

Ontem foi domingo. Quisera eu te acordar, entrar em seu quarto em passos lentos, passar as mãos em seus ombros e celebrar a sua presença com um beijo no rosto. E quando seus olhos preguiçosos lentamente se abrissem, penso em receber um sorriso seu com a palavra “amor”.

Seria besteira minha imaginar tal cena? Mesmo que seja com tantos detalhes, como o sol de outono que beira a janela, a madeira de carvalho de sua cama e armário e tacos soltos do piso de seu dormitório. Imagino até o cheiro da Camomila amassada na xícara que esqueceu na escrivaninha, e o moleskine aberto com algumas anotações de seu doutorado.

Ainda é cedo. Se preferir adormecer e deixar que o sol se levante um pouco mais, que o faça. Temos todo o tempo do mundo para deixar os sonhos no seu devido lugar e toda imaginação possível para criarmos nossa tarde juntos. Prometo esquentar a água do café, fazer a lista do mercado e deixar seus botões perdidos sobre a mesa. Lavar os tomates, deixar as janelas todas abertas e escrever uma canção para quando acordar. Prometo ainda fazer o silêncio que for preciso para o seu descanso necessário.

E quando, como que de repente, se levantar. Venha até a mesa, e compartilhe comigo as conversas mentais que seus pensamentos lhe proporcionam. Na cozinha o Tom, o pão, o som e a sensação de ter aqui. Imagino a tarde, nossas faces, a saudade e a realidade de um domingo qualquer.

Mas ainda é cedo amor. Adormeça um pouco mais, pois quando a manhã terminar, nossas vidas começam.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Luiz Fratta’s story.