Escrevi antes de saber que era realidade.
Parecia filme, daqueles românticos, franceses, de cores verdes e vermelhos e boinas na cabeça. Lenços quadriculados, bicicletas na contra-mão e pães em um saco de papel. De clímax intrigantes, enredos envolventes e finais emocionantes. Nossa história parecia cinema.
Tão igual, que se não fossem alguns detalhes... Talvez se não fosse a cerveja que eu derrubei em você, a maconha que me fez fumar criando uma risada descontrolada e o vômito no carro de volta para casa. Se não fosse que marcamos e não nos encontramos, que nos encontramos e não ficamos, que ficamos e não tínhamos pudor. Que chovia e demos um jeito, que nos perdemos sem motivo algum e que tínhamos ciúme e escondíamos. Nossa história parecia sétima arte.
Tanto que tinha trilha sonora, daquelas escritas por Ennio Morricone, que valem um Oscar, um Globo de Ouro e mais uma indicação exuberante. Algo cheio de batidas e vozes marcantes, de título Bumbum Granada. Nossos dias parecem longa-metragem.
E nossa vida, que parece imitar arte, faz arte por ela própria. De amor, carinho e saudade. E o nosso final será feliz e nossos dias serão perpétuos.