17 de abril: o dia em que todos perdemos

O mais belo muro que a nossa democracia civilizada pode oferecer.
“No Brasil, o segundo colocado é conhecido como o primeiro dos últimos”

Essa foi a frase do técnico Luiz Felipe Scolari em 2001, quando assumiu o comando da seleção e destacou a importância de ser campeão para um brasileiro.

Felipão pode não ter percebido, mas usou uma definição preciosa sobre como somos e pensamos.

Somos selvagens, competitivos e queremos ser vitoriosos.

No dia da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, tudo está organizado. Uma torcida fica no Anhangabaú. A outra fica em frente ao MASP.

Em Brasília um muro de 2,20m bem no meio da Esplanada dos Ministérios separa quem é contra dos que são a favor de Dilma.

Não vou entrar no mérito da delicada e detalhada acusação que cai sobre a presidenta. Se políticos, juristas e outros especialistas não conseguem emitir um parecer que defina essa situação não serei eu, jornalista, peladeiro e jogador de bicho a palpitar nessa área. Até porque, acredito que existe algo ainda mais grave em questão.

Hoje, 17 de abril de 2016, todos nós perdemos.

Perdemos porque não somos tão bons nesse negócio de ser humano. Somos pouco (ou quase nada) democráticos e no final das contas queremos mesmo é ganhar do cara ao lado pra mostrar que somos vencedores.

Afinal, não importa estar certo, o que importa é vencer.

Para isso vale a pena manter no governo uma presidente que perdeu a mão, o apoio e está perdida em seu cargo. Também vale colocar no poder um vice medíocre que articula sua subida há tempos e não se importa nos meios utilizados para alcançar o tão desejado fim.

Também vale ter um dos maiores bandidos da nossa jovem e ferida democracia como Presidente da Câmara, capitaneando o processo e organizando a votação enquanto arquiteta sua permanência no poder mesmo envolvido em todos os escândalos políticos investigados pela Polícia Federal.

Tudo isso é ignorado. Queremos estar certos enquanto os outros estão errados. Queremos competir e saborear nossa vitória nos deliciando com a tristeza dos derrotados.

É um saco admitir, mas temos pouca educação, quase nenhuma experiência democrática e zero noção de coletividade.

Enquanto não entendermos que nessa dança de poder perdemos todos, nada disso vai fazer sentido.

Precisamos admitir que nesse negócio de democracia nunca fomos campeões e precisamos aprender muito pra sair da zona de rebaixamento.

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