Como Psirico e o Lepo Lepo sabiam da crise antes dos economistas

Psirico: gênios do Axé e da economia.

Problemas como desemprego, alta dos juros e diminuição de oferta de crédito podem ter surpreendido economistas e a mídia especializada, mas foram previstos por quem realmente entende de economia e classe C. Gente que realmente entende o povão: a banda Psirico e o seu Lepo Lepo.

Antes de qualquer prognóstico econômico, no final de 2013, Psirico já falava com autoridade dos problemas financeiros de um homem da classe C. As letra de grande impacto e identificação já apontava uma população começando a se enrolar com problemas financeiros naquela época. Isso fez com que Lepo Lepo fosse o hit do verão de 2014.

Como nossos economistas não costumam curtir carnaval em Salvador nem assistir Faustão aos domingos, comeram bola e só foram falar em crise e queda de poder aquisitivo um ano depois do revolucionário Lepo Lepo.

“Ah, eu já não sei o que fazer
Duro, pé-rapado e com o salário atrasado
Ah, eu não tenho mais pra onde correr
Já fui despejado, o banco levou o meu carro”

Os brilhantes versos de Felipe Escandurras e Magno Santana narravam a dificuldade que o brasileiro começara a enfrentar. Infelizmente, o preconceito sempre nos impediu de perceber o óbvio, que o Psirico e boa parte da cena de Axé da Bahia entendem muito mais de economia popular que nossos ilustríssimos e gabaritados economistas.

Cantar sobre o pobre pé-rapado com salário atrasado é uma referência clara a uma das maiores crises de emprego dos últimos anos. Só em 2016, 99.6 mil vagas formais foram fechadas, o pior resultado nos últimos 7 anos.

No Lepo Lepo, nosso pobre brasileiro também foi despejado. Um detalhe perspicaz relacionado a um dos maiores problemas da família brasileira: o crédito imobiliário.

O Psirico já sabia que 46,3% das famílias enfrentam problemas com dívidas. Dessa porcentagem, cerca de 20% tem problemas sérios no pagamento da parcela de suas casas e outras dívidas de origem imobiliária. São os problemas de pagamento dessas parcelas e dos aluguéis, aliado as novas legislações vigentes para o inquilinato e de condomínios que resultam nos tão temidos despejos, cada vez mais comuns.

“…o banco levou o meu carro…”

Na boa, esses caras sabem muito! Frases curtas que mostram preocupação com os problemas do antes pulsante e sadio mercado automotivo nacional. Em fevereiro de 2016, como de costume, as variações econômicas ouviram o Psirico. De acordo com o Banco Central, as concessões de crédito para a aquisição de veículos caíram 20% em relação ao mesmo período de 2015.

A queda de 29,3% no financiamento automotivo no primeiro trimestre de 2016 tem como principais razões a diminuição da compra de veículos e a inadimplência que aumentou significativamente. Uma explicação estatística, natural e mais que plausível para o nosso companheiro perder seu carro.

“Agora vou conversar com ela
Será que ela vai me querer?
Agora vou saber a verdade
Se é dinheiro, ou é amor, ou cumplicidade
Eu não tenho carro, não tenho teto
E se ficar comigo é porque gosta
Do meu rá rá rá rá rá rá rá o lepo lepo
É tão gostoso quando eu rá rá rá rá rá rá rá o lepo lepo”

Lepo Lepo, essa monografia sobre o cenário econômico nacional certamente previa um encolhimento de 3,8% do Produto Interno Bruto Nacional em 2015. A previsão para 2016 é uma queda ainda maior, de 3,8%, uma derrocada que nem mesmo os videntes do Psirico poderiam prever.

Inflação alta, crédito escasso e renda comprometida afetaram diretamente a autoestima do brasileiro, gerando incertezas inclusive em seus relacionamentos amorosos. Mas esse é um tema a ser analisado no próximo texto, quando desvendaremos o empoderamento feminino e os problemas financeiros a partir do funk ostentação.

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