Contra o rótulo “Ultraliberal”

Criado pela esquerda brasileira, o termo pode ser adotado pelos liberais?


No artigo intitulado “Em defesa do Ultraliberal”, publicado no Instituto Mises Brasil, Geanluca Lorezon apoia que o movimento liberal brasileiro abrace o rótulo em questão sob a seguinte lógica:

Se utilizarmos o termo ‘liberal’, ou prejudicamos nossa comunicação com nossos colegas anglo-saxões, ou nos associamos a uma corrente muito distinta que existe na Europa continental.
Se utilizarmos o termo ‘libertário’ (além de não ser sonoramente agradável), podemos ser confundidos com nossos opositores comunistas.
O termo ‘liberal clássico’ também não é adequado, uma vez que representou um movimento específico de séculos passados, do qual se originaram diversas correntes políticas atuais (com exceção das socialistas), incluindo o conservadorismo americano e britânico.
Assim sendo, a pergunta não é mais por que adotar o termo ‘ultraliberal’. Mas sim, por que não o adotar? O termo já é usado até em Portugal.

Como se observa, a pergunta feita pelo autor no último parágrafo é respondida com o indicativo de que nossos amigos lusitanos já o utilizam.

Mas a justificativa é insatisfatória ao passo que uma abordagem política não deve ser avaliada pelo número de pessoas que a utilizam, mas pela eficácia dela em alcançar os objetivos estabelecidos.

Podemos construir uma resposta mais adequada com uma pista contida no início do texto:

Com o lançamento do “livro” intitulado Historiadores Pela Democracia, escrito pela elite de pensadores de esquerda da área de história do país, o termo ‘ultraliberal’ voltou a ser usado para denominar o movimento liberal/libertário do país, do qual este Instituto é apontado como parte.

Se a elite de escritores de “esquerda” (volto neste ponto depois), nossos oponentes, desejam que o movimento liberal/libertário seja rotulado como “ultraliberal”, é razoável concluir que tal termo nos favorece na discussão política?

Evidente que não.

Prefixos como “ultra”, “super” e “extrema” são utilizados para transmitir ao cidadão comum que o grupo referido é composto de radicais, afastando assim aqueles que não tem compromisso ideológico com posição alguma.

Aceitar ou, pior ainda, utilizar o termo “ultraliberal” é dar uma vitória aos oponentes do liberalismo, que desejam difamar os defensores da liberdade como figuras excêntricas, ou até assustadoras, cujas ideias fogem da realidade de vida dos brasileiros.

Como dizia marxista Saul Alinsky em “Regras Para Radicais”:

Sempre que possível, fuja da experiência do seu inimigo.
Escolha o alvo, congele-o, personalize-o e polarize-o.

Os liberais devem se auto-identificar como liberais e insistirem neste termo sempre que possível.

A necessidade de esclarecer liberais estrangeiros sobre o significado da palavra “liberal” no Brasil é um pequeno preço a pagar se comparado ao desgaste que sofreríamos na disputa política nacional com a fama de “extremistas”.

Finalmente: os escritores do livro abordado no artigo original não são “esquerdistas”. São extremistas, radicais de esquerda. Afinal, apoiam o projeto de poder petista, que tem como bandeiras financiar os regimes socialistas latino-americanos e implementar um governo deste tipo no Brasil.

É inaceitável que estes ideólogos se passem como esquerdistas “moderados” enquanto os liberais são bombardeados com acusações de radicalismo sem sequer reagirem, por vezes até cogitando render-se aos rótulos do oponente.

A linguagem importa, por isso o termo “Ultraliberal” não deve ser adotado, mas combatido.