Cultura x Economia: do que o Brasil precisa?


Para resgatar um país de ideologias totalitárias, deve-se priorizar a reforma das instituições políticas ou a revitalização de boas ideias e valores na sociedade?

No caso do Brasil, a questão é levantada em espaços onde liberais e conservadores convivem, e tal inquietação em comum é justificada por um problema prático.

Na realidade brasileira atual, tanto a liberdade quanto a tradição tem a força revolucionária como maior ameaça existencial.

Enquanto o governo tucano deu os primeiros passos neste sentido, os governos petistas foram o período em que esta força avançou com maior agressividade, por meios estatais e civis, contra nossas noções de autonomia individual e cultura ocidental.

O sufocamento da livre-iniciativa, o crescimento do corporativismo, a submissão da educação e da estrutura familiar aos ditames da burocracia governamental foram alguns dos danos causados pelo Estado. Nos meios civis, a expansão da esquerda na mídia e nas universidades criou uma discussão viciada entre especialistas que, quase unânimes, recomendavam a expansão do planejamento central sobre a vida do cidadão comum.

O estrago bastou para aproximar liberais e conservadores na tentativa de deter o colosso revolucionário, mas não conseguiu impedir a queda do governo Dilma quando a crise econômica deixou clara quão moralmente podre havia sido seu discurso para se reeleger.

Perdido boa parte do seu poder político e o financiamento estatal aos seus agentes civis, a esquerda fracassou em emplacar a Narrativa do Golpe e assistiu o eleitorado remover mais de 60% dos prefeitos petistas (hoje só com uma capital em mãos) nas eleições de 2016, esvaziando ainda mais os cofres da militância nas ruas, jornais e universidades.

Hoje, a direita se vê sob um governo que não elegeu, mas é simpático à diminuição do poder estatal na economia. No front civil, a esquerda utiliza sua influência na mídia e nas universidades para atacar o presidente Temer e a agenda de reformas econômicas com um discurso radical, tentando gerar embalo para recuperar seu poder político em 2018.

Com múltiplos objetivos, recursos escassos e uma poderosa oposição, é natural que liberais e conservadores recém-organizados no meio civil sofram para lidar com o desafio de reerguer o Brasil, com cada grupo tentando focar nas bandeiras mais preciosas para si.

No entanto, dada a presente situação, não há como priorizar economia ou cultura. A direita precisa ter o mesmo dinamismo das forças revolucionárias, lutando as batalhas econômicas e culturais de curto e médio prazo na medida em que aparecerem, de forma que as vitórias avancem sua influência no meio civil e ampliem seu poder político nas próximas eleições.

Tanto a recuperação econômica brasileira quanto o corte do financiamento e dos espaços utilizados pelas milícias de esquerda na disputa pela opinião pública são fundamentais para termos um Planalto e um Congresso mais favoráveis à expansão da liberdade e preservação da tradição.

Se há um consenso liberal-conservador possível, é este: caso a esquerda volte ao controle da máquina estatal, é certa a perseguição sistemática de todo esforço anti-revolucionário na economia e na cultura.

Portanto, entre a reforma trabalhista e o fim do desarmamento, entre a reforma previdenciária e a promoção do homeschooling, entre a aproximação com os países livres e a denúncia das ditaduras socialistas, não estamos diante de escolhas, mas apenas do surgimento de oportunidades.

É preciso discutir menos as eleições de 2018 e focarmos mais no que mostraremos aos brasileiros quando chegar a hora de convencermos mais pessoas que nossas ideias e valores merecem protagonizar o palco nacional. A criação de um otimismo quanto aos rumos econômicos e culturais do Brasil será fundamental para superar a ameaça de um revivido Leviatã petista empurrar o país novamente rumo ao caos.