Dona Regina e Bolsonaro: sintomas da guerra cultural


O debate público brasileiro encontra-se em novo ponto de ruptura. Do mesmo jeito que o fim da hegemonia petista trouxe a polarização política, o fim da hegemonia progressista trará uma polarização cultural inédita na Nova República.

Por anos, o duelo PT-PSDB favoreceu a narrativa da classe falante no tema da moralidade. Com a extrema-esquerda de um lado e a esquerda moderada do outro, a ideologia progressista de jornalistas e acadêmicos era verdadeira vaca sagrada, apoiada e jamais questionada pelas forças no embate.

O surgimento de uma direita civil organizada, que atuou na queda do PT e seguiu com agenda diversa a do PSDB, mudou o cenário. Grande parte deste grupo rejeita o progressismo bajulado na mídia e na universidade, tendo apoio do povo, de valores tradicionais, que não se vê representado pelos formadores de opinião.

É visível uma rebelião conservadora no Brasil, em particular pela guerrilha virtual contra as elites. Jornais, museus, empresas renomadas e seus mensageiros não podem mais afrontar as noções morais do cidadão comum sem resposta.

Dona Regina, senhora que participou do programa Encontro Com Fátima, é exemplo ilustrativo da situação. Após os artistas globais defenderem a exposição do museu que permitiu uma pequena menina tocar um homem nu, Dona Regina falou humildemente que reprovava o ato por se preocupar com a criança. A resposta foram caras de surpresa e deboche dos globais, que achavam ridícula uma opinião que, ironicamente, tem mais apoio do Brasil real que a excentricidade pós-moderna defendida por eles mesmos.

São as Donas Reginas que colocam Bolsonaro em segundo lugar nas pesquisas apesar de todos os ataques das elites contra o candidato. Enquanto ele for o único candidato com uma mensagem clara em defesa dos valores do brasileiro comum e do fortalecimento da segurança pública, este cenário estará consolidado.

Queira a classe falante ou não, a pauta moral veio para ficar. Esta demanda reprimida hoje impulsiona o renascimento da direita no meio cultural e político do país, desenvolvendo novos intelectuais e representantes eleitos para articular seu pensamento.

A tensa guerra cultural que nasce hoje no Brasil pode não ser agradável, mas é saudável para nossa democracia: trata-se da luta de uma larga parte da população para superar a marginalização de suas crenças e exigir respeito de uma elite nacional que a demoniza diariamente.