Greve Geral de 28/4: fracasso sindicalista


O dia 28 de Abril era tido como ponto de impulso para as forças sindicalistas, aliadas do petismo, realizarem uma grande contra-ofensiva para deter a reforma trabalhista e, de forma secundária, a reforma da previdência.

Entretanto, apesar da intensa propaganda militante durante os últimos dois meses, a tentativa de realizar uma greve geral fracassou, tendo o sindicalismo sido o claro protagonista dos atos, não o povo.

Tomando duas cidades-chave como exemplo: Brasília e São Paulo tiveram, respectivamente, 3 mil e 70 mil participantes. Comparemos aos números do 13 de Março de 2016, último grande ato do Impeachment: a primeira teve 100 mil manifestantes e a segunda, 1 milhão deles.

Fica claro, portanto, que a tentada greve geral não teve a adesão popular que seus organizadores sindicais pretendiam. Apenas grupos muito reduzidos da sociedade, em particular os mais favoráveis à agenda do Partido dos Trabalhadores, que decidiram ir às ruas contra as reformas econômicas.

Não bastando o esvaziamento do movimento, a paralisação dos transportes públicos e os episódios de violência e vandalismo praticados pelos sindicalistas Brasil afora geraram alta rejeição popular ao movimento, mesmo entre os preocupados com o futuro de seus empregos e aposentadorias.

Em grande parte, tais fenômenos podem ser atribuídos à postura sindicalista, que deixou claro ter a permanência do imposto sindical e a sua influência nas relações trabalhistas como principais metas. Era evidente que o corporativismo, não uma preocupação com o bem-estar do trabalhador, que guiava os esforços das centrais sindicais.

O fracasso da Greve Geral é uma desmoralizante derrota do sindicalismo brasileiro, que esperava defender a continuidade da extorsão do trabalhador brasileiro e o sustento de seus militantes profissionais. Pelo contrário, a categoria viu-se ignorada pela maioria da sociedade, algo embaraçoso para os grupos que se vendem como representantes de largas fatias da população.

O resultado é boa notícia para os defensores das reformas trabalhista e previdenciária, que podem agora pressionar os parlamentares a votarem a favor delas sem o fantasma da reação popular, algo que contribuirá para construir uma sólida base de apoio na Câmara e no Senado.

Enquanto a tentada Greve Geral não representa um golpe de morte no sindicalismo, a sua fraca expressividade, mesmo com grande esforço de divulgação, desencorajará novos atos similares nos próximos meses, o que pode selar o destino do imposto sindical, matando uma das maiores fontes de renda das centrais sindicais e fragilizando no longo prazo sua capacidade de pressionar e intimidar tanto os adversários políticos do petismo quanto a população em geral.

É uma importante vitória estratégica para as forças liberais e conservadoras que continuarão a agenda de reformas econômicas no ciclo político que se iniciará em 2019.