Cadeia alimentar da destruição. Como romper?

Miniartigo de Luiz Miller


Uns dizem que a saída são estados fortes e onipresentes que comandam tudo, inclusive o que devemos fazer de nossas vidas, um grande irmão que limita as liberdades de pensamento e criatividade, sempre caindo numa autocracia que uniformizaria as classes sociais com os Alphas, Betas e Gamas que Aldous Huxley imaginou em Admirável Mundo Novo. Outros, mais liberais e que até se julgam anarcocapitalistas (quanta discrepância) dizem que a saída tá na liberdade individual de empreender, mas não falam nada sobre ganância ou acúmulo de riquezas, creem que isso faz parte das liberdades individuais, caindo, futuramente, no mesmo ciclo perverso de exploração e meritocracia, sem dar a mão ao próximo, auxiliando as pessoas para que se libertem através do conhecimento, pois apenas esse é o real libertador — a ignorância intelectual é uma escravidão ainda pior do que a física, pois essa, pode ser rompida através de revoluções temporárias, mas cairíamos novamente em desgraça. A educação atual forma pessoas que mantêm o status quo. Levas e levas de humanos que apenas são engrenagens da industrialização destrutiva. Os campos foram dominados pela Corporação do Mal, empurrando hordas inteiras que se espremem nas cidades atrás de uma ilusão que lhes dão via programas de televisivos, agências de publicidade que nos dizem o que precisamos criando falsas necessidades — smartphones, aplicativos para pessoas com baixa autoestima, drogas legais para nos manter felizes e na linha, que precisamos comprar alimentos industrializados, mas mentem sobre toda a cadeia de produção que escraviza pessoas, envenena solos e destróis organismos. Nunca houve tanto câncer e pessoas apodrecidas pelo que ela mesmas produzem indiretamente. Nisso tudo está o estado, as vezes com ares democrático e que nos fazem crer que realmente participamos dessa bosta toda. Jamais. Nossos líderes são representantes da Corporação do Mal que os financiam e os colocam lá, lhe dão opções, como num supermercado, de políticos criados a partir da imagem do que você é o que você compra — tem o limpinho conservador, o ultra radical que ilude corações solitários e carentes, o social moderado que agrada quase a todos e por ai vai. Votamos em imagens da mesma forma como acreditamos escolher o melhor produto em gôndolas de mercados de gente feliz. Libertemo-nos todos dessa ilusão. Adquira conhecimento libertador e repasse aos irmãos com mais dificuldades de obtê-los. Nem estado, nem privado — autogestão.

Todo amor aos anarcobudistas

Luiz Miller
Pirituba, São Paulo.
Maio de 2015