Juventude

Hoje (20 de setembro de 2016) decidi expor minha sincera saudade da juventude.

Parece até blasfêmia eu fazer um texto sobre juventude, afinal, tenho apenas 18 anos. Mas infelizmente, juventude não se resume apenas a idade. Não devemos nos limitar a quantos anos já vivemos. Tive um momento nostálgico com uma amiga minha. Relembramos tudo o que fizemos, de 2013 a 2015. Conseguimos acordar que 2016 foi o ano mais emocionalmente complicado que tivemos. Até dezembro de 2015, chorávamos todos — um adendo ao “S.F” ❤ — comemorando nossa conclusão do ensino médio. Tudo muito lindo. O que estávamos mais esperando aconteceu: Nosso tempo na escola acabou, agora nos tornamos definitivamente “adultos”, e não dava para voltar atrás. Só teríamos que nos preocupar com festas semanais e praia, certo? Errado.

Faço Ciência da Computação na Faculdade Ruy Barbosa. No primeiro dia de aula, tudo pareceu bastante estranho. Foi naquele momento que realizei o quão difícil e gigantesco tudo havia se tornado. Meu maior medo antes de entrar em um campus era perder em Educação Física por falta. Além da falta de amizade que eu senti logo quando encontrei onde sentar no auditório — procurei por todos meus amigos e não os achei — também senti o peso que tudo aquilo era. O sonho de raves e noites praianas havia acabado de se arruinar, sem tempo previsto de correção.

As vezes relembro meu discurso de orador da formatura. Sem dúvidas coloquei todo o meu carinho naquele texto. Fazia um tempo que não me emocionava em escrever algo tão delicado quanto foi poder falar de todos meus amigos e professores. É difícil dizer tchau para escola onde você cresceu. Lembro do rosto de todos os formandos, reagindo ao meu recital defronte a todos os pais e ex-alunos. Sempre fui muito bom com palavras, geralmente não falho com conectivos e outras regras gramaticais, mas confesso que aquele foi o texto mais difícil que já fiz até hoje. Eu caracterizo aquele momento como “A noite em que os 18’ realmente pesaram”.

Juventude, provavelmente a palavra mais dócil que existe em nosso dicionário. A juventude que eu conheci não foi pelo Aurélio. Forço até em acreditar que o significado desta palavra não pode ser colocado em um livro de regras palavreais. Juventude é fazer merda e depois tentar consertar, mesmo sem fazer a menor ideia do que está fazendo. Juventude é gostar de alguém só pela música que ela ouve. Juventude nunca foi sinônimo de inocência para mim. Juventude é correr atrás de algo que você nem sabe direito do que se trata, mas só a sensação de estar buscando algo incessantemente te motiva a prosseguir. Juventude é não saber que é juvenil, é se achar o “adultão” porque fez algo que seus pais fariam. Juventude é achar que é melhor que ela, quando na verdade, ela sempre fez parte de você.