Roubaram meu celular.

Eu só percebi que ainda pensava em você quando fui desbloquear a tela pra ver sua foto e não tinha mais tela, foto ou aquelas mensagens de um ano atrás que eu guardava com tanto carinho. Tinha uma que você até brincou falando que eu era incrível, lembra? Acho que é assim que a gente vira lenda, ocupando um espaço precioso na memória do celular de alguém. Quantas musicas deixei de baixar, quantos áudios eu não consegui ouvir por não querer apagar as fotos que você me mandou do dia em que estava limpando a casa. Eu conheço o seu quarto todo, detalhe por detalhe sem nunca ter pisado na sua casa. Antes de dormir eu deitava na minha cama e pensava na sua, assim a sua solidão era um pouquinho minha também. Já dividimos segredos, sonhos, pensamentos e até alguns sorrisos. Um dia eu decidi dividir meus sentimentos com você e foi nesse dia que você decidiu que a gente deveria se dividir. Cada um pro seu canto. O encanto quebrado, o coração partido mas todas as memórias ainda comigo, não era tão mal assim. Eu fazia daquelas fotos o meu urso de pelúcia, abraçando-o forte depois de todo pesadelo ou tempestade e assim eu me sentia melhor, muito melhor.

Roubaram meu celular ontem, hoje eu vou dormir sozinho, rezando pro mundo (não) acabar.

Like what you read? Give Luiz Picanço a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.