That’s OCD, dad

A melhor cena de O lado bom da vida é quando o personagem de Robert De Niro pede ao filho, interpretado por Bradley Cooper, que se sente ao seu lado para assistir a um jogo decisivo do Philadelphia Eagles. O filho se recusa, ele insiste. Não quer perder o “juju” antes do jogo.

“That’s OCD, dad!”

Torcer para qualquer time é um duelo constante com a nossa saúde mental. Estádios de futebol, no caso, são o maior ponto de reunião de obsessivos compulsivos conhecidos pela humanidade. O André, por exemplo, vai com a mesma camisa até empatar ou perder, com medo de azar. A Daniela fecha os olhos toda vez que o Parmera sofre um ataque. Fernanda apoia o pé no corrimão e, às vezes vai dar um rolê arquibancada abaixo.

Eu tenho várias. Vou com a mesma camisa, uma retrô dos anos 80, que comprei do Portes. Canto o hino nacional certinho enquanto todos cantam ‘meu Palmeiras’. Primeiro, porque é ridículo. Segundo porque dá azar quando eu não canto. Ano passado, eu precisava xingar o Cleiton Xavier TODA vez em que ele entrava em campo, perguntando se o filho da puta estava cansado. O primeiro tempo deve ser sempre assistido nas cadeiras, o segundo na escada.

Ontem, quando eu mudei de lugar porque não tava saindo gol, o Iamin comentou: “Claro, porque a diferença pra um elenco de 30 caras que treina duas vezes por semana é o teu lugar no estádio”.

Ele tem razão? Tem. Eu ouvi? Claro que não.

Fiquei ali na minha mandinga inútil o segundo tempo inteiro. E nada. Eu já estava começando a ficar preocupado. Era hora de criar outra mania. O relógio já marcava 42 do segundo tempo quando o Reinert desceu uns lances de escada para acompanhar o final do jogo. Eu tive o único pensamento minimamente lógico que o momento exigia:

“É um sinal de que o gol vai sair. Vou ver junto com ele”.

E fiquei ali atrás do Pedro assistindo aos últimos minutos da partida. Seis minutos de acréscimo. O Palmeiras atacava, cavava faltas, jogava bola na área e nada. Dudu cai na ponta esquerda. Falta.

“É agora, não é possível.”

Não foi. A bola repicou, voltou no pé de Dudu. Outra falta.

“Ok. To sentindo que agora vai.”

Bate, rebate, volta, Guedes cruza. Gol.

Abraço meu amigo, caímos cinco lances de escada pra baixo. Eu estava certo. Esse negócio de obsessão funciona mesmo.

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