Opa! Bom dia pra ti também, São Paulo.

Para São Paulo, Por Favor.

Querida São Paulo,

Tudo bem? Peço licença e vou entrando. Não vim de tão longe, é verdade. Nem pela primeira vez. Mas é que hoje cheguei sem passagem de volta, sem data para sair. E quando a gente chega assim, a gente fica se sentindo meio intruso, folgado. Sabes como é.

Eu não pertenço a ti. Tampouco tu pertences a mim. O ‘tu’ me entrega facilmente, né?

Vim da cidade pequena, Araranguá, Santa Catarina. Me encontrarás perdido em ti, em meio à tanta esquina.

Tens de tudo, de toda gente. Gente daqui, gente de longe e gente de longe que já é daqui. Já eu tenho minhas pernas para ir e vir, para visitar lugares e pertencer ao mundo.

Hoje, minhas pernas se misturam à tua multidão. E nessa poligamia geográfica vamos convivendo.

Que a nossa relação seja simples e bonita. Me dás um emprego, te dou carinho. Me dás um bom programa pra domingo, te dou mais carinho. Não ta fácil, carinho é muito do que posso dar ultimamente.

Mas carinho nunca é demais. Nem pra ti, eu acredito.

Tu, que és cidade de tantos extremos. Extrema riqueza, extrema pobreza. Extrema direita, extrema esquerda — volver! Que tem em cada extremidade uma história a ser contada, a ser ouvida ou ainda por ser vivida.

Prevejo alguns dias difíceis também.

Eu vou chorar, tu vais chover. Eu vou distanciar, tu vais esfriar. Eu vou calar, tu vais escurecer.

Vou reclamar do teu barulho e tu do meu desafino. Vou te chamar de fedida e vais me mandar tomar banho. É, a gente vai brigar. Mas que eu volte a sorrir e tu a clarear.

Que a gente se entenda. Se quebrar o encanto, a gente remenda.

Que todo dia eu possa te deixar mais feliz do que és hoje.

Até o dia em que eu te deixar mais feliz do que sou hoje.