Palmeiras x Corinthians: o jogão que foi horrível — ou o contrário

Assisti ao clássico deste domingo com um grupo de amigos — entre eles palmeirenses, corintianos, são-paulino e santista. Vivendo a onda de nostalgia dos anos 1990 que parece tomar conta da internet — páginas como Cenas Lamentáveis e afins são expoentes desse movimento –, esperávamos ver, a cada lance, algo que lembrasse os antigos clássicos. Cada disputa mais acirrada levantava nosso ânimo mais do que as chances de gol em si.

Ao final do jogo, saímos com a sensação de que foi um bom clássico. Muito pegado, tenso, com divididas fortes e uma boa dose de emoção concentrada em poucos minutos. No entanto, ao fazer uma análise mais fria, horas depois do apito final, percebi que não foi bem assim. Foram apenas 16 finalizações em 90 minutos, sendo 11 delas do Palmeiras. Os dribles, comuns nas décadas passadas, foram escassos: apenas 10 ao todo. O percentual de passes certos também não foi grande coisa: 80% do Corinthians e 72% do alviverde.

Em questão de chances de gol e bola na rede, nada que se compare com o último dérbi, no segundo turno do Campeonato Brasileiro de 2015, que terminou em 3 a 3. Aquela partida foi apontada como um típico confronto dos anos 1990, quando as duas equipes tinham craques em seus elencos e jogavam o tempo todo buscando o gol.

Quem não buscou muito o gol neste domingo foi o Corinthians. Não que fosse obrigado: com a vaga para a fase final e a primeira colocação em seu grupo garantidas, o time de Tite não precisava ir para cima e podia se dar ao luxo de tentar explorar o desespero palmeirense. Só que o desespero, que diante de pequenos como Red Bull e Água Santa se manifestou em forma de paralisia, desta vez foi canalizado da forma ideal, em muita disposição e vontade de vitória.

Esse foi um dos motivos para o Palmeiras ter sido claramente melhor no clássico: ele quis ser melhor e se impôs diante de um adversário que, apesar de obviamente também querer vencer, não tinha o peso da obrigação.

O lance do gol da vitória aconteceu no punhado de minutos que valeu pelo jogo inteiro. Dois minutos após uma defesa de Fernando Prass em cobrança de pênalti de Lucca, Dudu foi melhor que Cássio pelo alto e cabeceou para dentro. Mas não dá para dizer que foi um jogão, pelo menos não no sentido amplo do termo. Poderia e deveria ter sido melhor, mais emocionante, com mais dribles, mais chances de gol. O problema é que o futebol hoje em dia funciona como o Corinthians que perdeu o clássico: poderia, mas não sente a obrigação de ser melhor do que tem sido. E por isso a nostalgia dos anos 1990.