Pagliacci e o fim do Rivotril

“Ouvi uma piada uma vez: Um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto.
O médico diz: “O tratamento é simples. O grande palhaço Pagliacci está na cidade, assista ao espetáculo. Isso deve animá-lo.”
O homem se desfaz em lágrimas. E diz: “Mas, doutor… Eu sou o Pagliacci.”
Boa piada. Todo mundo ri. Rufam os tambores. Desce o pano.” - Watchmen

Brincando de

Tiro ao alvo,

Completamente no escuro,

Envelheci uns vinte anos

No último vinte de junho.

Rivotril, Valium, Trazodona e

Dramin,

Procurando um remédio

Pra me curar de mim.

Vivendo como zumbi

Mal posso conviver comigo,

Me explica, Renato

Como não é tempo perdido?

Procurando esperança,

Achar não consigo,

Fim de semana,

Copo cheio,

Espírito vazio.

Ouvindo Radiohead e Smiths,

Patético,

Sinto falta de quando

Meu maior problema era o tédio.

E minha apreensão

Soa algo tão estúpido,

Me perdendo aos dezoito

E querendo salvar o mundo.

Animado, depressivo,

Estressado, tranquilo,

As vezes erro

No que falo,

As vezes erro

No que digo,

Mas mesmo assim,

Amigos,

Há esperança de melhora

Enquanto eu seguir vivo,

E eu sigo,

Enquanto os nervos explodem,

Continuo nesse mundo

Até uma segunda ordem.

Originalmente publicado na coletânea #2 do blog “Uma boa dose”