Meu amor é retrô

Talvez eu não seja a melhor pessoa para falar de amor. Nunca tive muito sucesso nessa área, mas há algo que sempre me faz refletir.
A cada dois mil e alguma coisa que se inicia, novos ares trazem novas paixões, e vidas são atraídas por um mesmo sentimento. Quando você se dá conta, há mais notificações de namoro no seu Facebook do que mensagens no seu inbox.
Curiosamente, tão rápido quanto se passaram os poucos dias do ano, esses mesmos relacionamentos acabam em instantes. São poucos os que sobrevivem mais de três meses, e dentre esses sobreviventes, é provável que somente um ou dois casais cheguem ao altar.
Alguns dizem que não querem casar, então me pergunto: qual o propósito em se relacionar mais intimamente e conectado com alguém? Pra quê começar um namoro com o pensamento de “se quiser ficar, fique, se não quiser, a porta está aberta”?
Vivemos dias em que o número de divórcios aumenta exponencialmente. Algumas pessoas entram em novos relacionamentos mais de uma, duas, três, até quatro vezes no ano…
Os relacionamentos de hoje são tão rasos: você consegue ver os sorrisos nas fotos do Instagram, as declarações no Facebook, os restaurantes que foram palco dos sorrisos no Swarm, mas não consegue enxergar o amor de um pelo outro. Talvez consiga ver a paixão de duas pessoas, mas o amor entre elas não está ali. A conveniência se tornou a base dessas relações: a partir do momento em que a pessoa não é mais conveniente, aquela história é jogada no lixo.
Eu me sinto um tanto deslocado nesse assunto. Não consigo entender o porquê de homens e mulheres não respeitarem o compromisso que tem com seus parceiros, relações que acabam na primeira dificuldade, parceiros que não lutam para conquistar suas parceiras diariamente…
É tanto foco no ego, no famoso “amor próprio”, que o verdadeiro amor se perdeu.
Quem ama, não quer ser feliz em primeiro lugar, quem ama, quer fazer o outro feliz: abre mão das suas vontades, sacrifica compromissos, o tempo, dinheiro e tudo que ele tiver de abrir mão pra ver um sorriso no rosto da pessoa amada.
Quem ama, suporta as dores do outro, deixa de estar certo numa discussão para dar lugar a um beijo de reconciliação. Quem ama, deixa de realizar um sonho próprio para juntar forças e lutar pelo sonho do outro…
Quem ama de verdade, não se preocupa com amor próprio, porque a gratidão e o sorriso daquele a quem ama são sua maior felicidade.
Isso pra mim é amor. Isso é o que devia ser a base de uma relação.
Terminar um relacionamento porque acabou o tesão é fácil, difícil é cultivar um amor sincero que irá durar para sempre.
As pessoas se doam cada vez menos aos seus parceiros. Não sei quanto a você, mas eu não quero viver isso. Eu quero viver intensamente um amor que eu possa dizer:
Eu dei o meu melhor por você!
Você pode me dizer que os tempos mudaram, que os relacionamentos do mundo moderno são assim, mas eu não entendo esse culto ao efêmero, essa valorização de um amor fácil que desiste na primeira dificuldade, que nada suporta, nada espera, nada sacrifica…
Desculpe, mas eu realmente não entendo o sentido de tudo isso…
Talvez porque meu amor não seja desse tempo.