A triste geração que está sendo convencida de que não sabe amar
Laura Pires
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achei muito boa a reflexão e pertinente em diversos pontos. mas, na minha visão, me parece complicado pegar só pelo lado de que hoje temos a possibilidade de nos separar, ou de nem casar, ou de casar e morar em casas diferentes, ou de ter um relacionamento aberto, ou mil outras coisas, para justificar as "vantagens" do amor contemporâneo — líquido ou confluente. para mim, os pontos que você valoriza, são uma parte do todo: uma parte, que, de fato, graças às deusas, é maravilhosa e nos fez (ou está fazendo) sair de tempos tenebrosos de relações sem amor, abusivas, de fachada etc e tal.

mas falar do amor na contemporaneidade, e optar por desconstruir a noção do amor líquido, na minha opinião, precisaria entrar em outros temas também. em outras questões dos relacionamentos, em outras noções que se transformaram e em outras dificuldades que encontramos hoje. não temos só vantagens, embora tenhamos uma grande vantagem. ;)

não quero aqui advogar pelo amor romântico — embora, para mim, ainda seja difícil me desamarrar dele — , mas sim falar do que perdemos quando passamos a encarar os relacionamentos de outra forma e, mais ainda, vangloriar a ideia do "tô nem aí", do "pego mas não me apego". cadê a intimidade real? cade a vulnerabilidade, o não ter medo de mostrar gostar de alguém e de se mostrar para alguém? na boa, quem faz isso hoje em dia? é uma competição de quem é mais frio e liga menos e demora mais pra responder e não quer conhecer a sogra ou sei lá o que. (nisso, não to falando só de relacionamentos monogâmicos ou heterossexuais, tá? meu objetivo não é defender um formato, to falando geral mesmo, porque me parece acontecer com todo mundo.)

acho que, nisso, estamos perdendo de exercitar nossos próprios sentimentos, de nos abrir; de conhecer pessoas a fundo e de formas múltiplas e descobrir as belezas (e as agruras, claro) do outro; de construir algo maior do que a individualidade de cada um — seja esse algo um sentimento, uma família (em qualquer formato), um propósito, uma experiência. enfim. me parece que precisamos falar mesmo sobre nossa noção de amar, e não justificar nossas fraquezas pelos problemas do passado.

de qualquer forma, grande debate! obrigada por iniciá-lo. :)