Ela foi ao encontro dele. Vestido de cores claras , esvoaçante conforme o andar de primavera. Perfume que se confundia com o cheiro das damas da noite no caminho.

Tinha sol e luar…

Ele ouviu a cantora que lhe fora sugerida noutra noite.

Mas não fez a barba, como seria conveniente. Vestiu-se melhor no entanto, queria parecer apresentável, pelo menos aos olhos do espelho. Não era de se perfumar.

Ela chega pedindo licença em francês, aprendeu o básico no dia anterior para impressionar o professor

Ele não consegue responder de surpreso que ficou. Não a quer fazer mal, mas sabe que não a deveria ter.

Ela tenta convencê-lo diferente

Chama para um passeio à meia luz. Seu vestido de cores claras se mistura à leveza do por do sol

Param em um café, há música. Clima descontraído.

Eles dançam ao som do jazz ao vivo.

Ela tenta convencê-lo de que sua língua sabe mais que francês. Ele não se engana. Olha a hora no relógio da parede, d’outro lado da sala, distante, titubeia e se desconforta. Foi notável. Ligeiramente. Se arrumou de fato, e agora?!

Sabe o que fazer no entanto. Beija seu rosto, elogia os grãos de café moídos na hora e a torrada típica, agradece a companhia e a dança. Se vai.

Ela tenta recuperar o fôlego e o rapaz. Decidido, vai embora sem muitos pormenores.

Sentida, porém compreensiva, não há de ficarem juntos nesse momento, de fato. Acena adeus com o coração partido,

ele não olha para trás…para lados opostos, caminham.

Já era noite… Seu vestido enegreceu à luz do luar. Seu perfume, como tudo que envelhece no tempo, marcava com maior firmeza seus passos. Sua mente, no jovem rapaz.

Ele não entendia. Só ressentia. Lembrava do passado e das certezas que não podem ser mudadas, nada mais.

enfim

Voltavam eventualmente àquele café, jamais se cruzaram. Fizeram-se de desconhecidos, deixaram sua história pra ser contatada e a reviviam em todo gole de café moído na hora. Envelheceram junto a suas lembranças.

Viveram (felizes) para sempre, cada um em seu pensamento secreto, recriando um passado concreto, durante toda uma vida, tudo aquilo que poderia e que não foi.


Esse pensamento me saiu menos filosófico do que gostaria e do que costumo escrever…Se lhe serviu de inspiração ou de lembrança para algo, gostaria de saber.