Ilusões

Já era noite, inicio da noite na verdade. Sai de casa pra trabalhar e vislumbrei o céu. Lua que deixou de ser nova e cresceu ao meu olhar. Algumas estrelas saltitavam de alegria, longe uma das outras, pareciam vagalumes no céu. Era um céu de cidade grande, poluída, aquele barulho de carro que faz pensar em tudo duas vezes. Cheguei a imaginar como seria essa mesma noite no interior, e de repente, me transportei. Até o som dos grilos e o farfalhar das árvores comecei a escutar. Notei que sentia falta. Falta daquela imensidão, daquela incerta certeza que só uma noite iluminada com a luz do luar traz. Queria voltar pra lá! queria sentir a brisa em meus cabelos e o cheiro do mato refrescando minhas entranhas enquanto eu talhava uma escultura num pedaço de tronco de Carvalho. Paz.

Tão imerso em meus próprios pensamentos que não notei quando você chegou… Encostou suavemente sua pele macia na minha e fez despertar de minha êxtase em talhar. Rapidamente imergi em seu olhar, tão amulatado quanto a noite, me intrigava e ao olhá-los, arrepiava minha pele assim como os ventos noturnos faziam ao me acariciar. Com um gesto convidativo me ofereceu carinho, me concedeu uma dança e me deu amor. Chamava meu nome, sem parar, sem parar, sem par…

E dá minha paz , subitamente retornei a realidade. Ensanguentado, com paramédicos em cima de mim, o luar que vinha a ser as lanternas da ambulância, a brisa da noite interiorana virou frio, calafrios que escorrem a vida. Estava indo, pude sentir… Não adiantava mais chamarem por mim, não queria responder. Não há açúcar que possa adoçar minha bebida, ou minha vida agora. Deixem-me ir. Quero voltar pros braços dela, que chama meu nome com calor e me tirará desse frio que é viver só de ilusões.


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