Sensibilidade em código

São só palavras. Sempre serão só palavras. Mas o que eu sinto quando escrevo é o mundo. Sinto tuas dores e as minhas. Sinto todos os amores que tive e que perdi. Sinto o amor que não dei. A culpa dos que deixei e me deixaram. Sinto-me toda tua. Toda do universo. Viajante. Sentinela do que é. Pronta para abrir os braços e sentir. Escrevendo passeio pelos céus, ah, como é bom. Desço sobre a beleza que me atravessa com a mesma velocidade acelerada em que o tempo se move. Sinto-me tua, universo. Sinto-me nua diante do indizível. Sinto-me crua. Guardadora do que não posso ainda dizer porque não conheço palavras suficientes. Porque não conheço línguas capazes de contar a grandiosidade da vida. São só palavras. Sempre serão. Mas é com elas que traduzirei aquilo que só sei sentir.