Sobre sonhos
estava pensando sobre sonhos. Não aqueles de quando a gente está dormindo, mas aqueles de quando a gente acha que pode tudo. Ou quase tudo.
ao longo da vida minha capacidade de sonhar foi enferrujando. sonhos, não planos. Planos são ter essa carreira, trabalhar aqui, mudar de emprego e ganhar mais, mudar de carreira e começar daqui. Isso é plano, é pratico.
Planos faço vários, esse meu signo de terra. Executar, colocar uma ação depois da outra, depois desse resultado fazer isso. Planos.
nos planos não tem espaço para o imprevisto, para o intangível, para o incontrolável.
E não tem espaço para a mágica de um sonho. para a gargalhada de criança quando você conta seu somho.
não saberia apontar o porquê de ter me tornado uma inepta na arte do devaneio. Me parece que é a soma de vários.
o que tem que ser feito nos sufoca de tal forma que. Entramos todo dia na máquina de moer gente.
telas por toda parte, a inexistência do ócio criativo. pragmática demais. quebrada demais.
talvez sonhar seja um privilégio praquele momento que os boletos estão pagos. ou pra quando a gente é jovem e acha que vai mudar o mundo. talvez a gente só ache que é assim.
eu não quero parar de sonhar. não quero apenas apertar parafuso um dia após o outro. eu sei que a capacidade de sonhar tá aqui, em algum lugar. Talvez caída atrasada gaveta de calcinhas.
e os seus sonhos, quis são?
