Não sou muito de surpresas

Enquanto dirigia coloquei a música no volume máximo, para ver se esquecia da solidão. Você, meus amigos, ninguém quis sair comigo naquele fim de tarde. E eu precisava espairecer. Era mais do que uma vontade, eu tinha necessidade disso. Eu te implorei, mas você insistiu não poder. Tinha muita coisa para fazer… Fiquei me perguntando, então, o quão importante eu era na sua vida, já que você não me tinha como prioridade, mesmo que raras as vezes.
Não encontrei um lugar bom para estacionar o carro — você sabe, eu sou péssima fazendo isso — e parei na curva mesmo. Sentada, eu vi o sol se por e contemplei aquele presente que a natureza me proporcionou ver. Era incrível, porque por mais que eu estivesse aproveitando meu momento comigo mesma, eu preferia, mil vezes, ter você ali. Era como se mais nada tivesse graça se você não estivesse junto. Mas pensei muito sobre tudo e cheguei a várias conclusões.
Uma delas é que você é como uma curva. Cheio de mistérios, surpresas. E eu sou a motorista. Preciso ter cuidado, paciência. Nunca sei o que encontrarei mais na frente. Você me surpreendia todos os dias. Enquanto eu pensava nisso, você chegou. E me surpreendeu, como sempre. Sentiu que eu estava desabando e só me abraçou. Entendeu que eu não conseguiria falar e permitiu meu silêncio. Sem perguntas ou explicações.
Você é o mistério que eu mais gosto e olha que não sou muito de surpresas. Nunca sei como reagir a elas. Na verdade, eu ainda não sei reagir a você. É como se a cada dia eu descobrisse um pouquinho mais sobre quem você é. Te descobrindo, eu me descubro e entendo que é por isso que eu só vejo sentido em tudo quando estou com você.
