O amor pelo verão

Eu sempre gostei do inverno. Era a minha estação preferida, aliás. Até você ir… É impossível não lembrar do dia em que você foi embora. O dia em que fazia mais frio na cidade foi o mesmo em que o meu coração congelou. Eu não conseguia entender tudo aquilo que estava acontecendo. Depois de tantas promessas, tantos planos e objetivos mútuos, você se foi. E me deixou aqui, sozinha.
Lembro claramente das suas últimas palavras. “Eu não posso continuar aqui, não quero te machucar”. Acredite, você me machucou muito mais. Junto com a chuva, minhas lágrimas inundavam o quarto. Minha cabeça latejava tentando compreender a sua ida, mas nada que eu pensava era suficiente. Nenhuma hipótese fazia sentido. E depois de tudo o que eu passei, merecia seguir em frente, do mesmo jeito que eu achava que você estava fazendo.
Até que no dia 21 de dezembro, quando começava a estação do ano que eu menos gostava, pelo calor excessivo, insetos e todos os outros costumes de verão que existem, você voltou. Bateu na minha porta e eu demorei para me levantar e ir atender, como se eu não tivesse visto você chegar… Sabia que não deveria abrir, mas, na verdade, o que eu mais queria era que você invadisse minha casa e nunca mais saísse de lá.
E, sem dúvidas, o meu verão foi muito mais florido que a primavera daquele ano. Foi surpreendente a forma que você conseguiu tornar tudo mais bonito e agradável. Eu não me cansava de te observar e depois de todos os questionamentos e explicações, tudo voltou ao normal. É, nem tudo… Porque eu que sempre gostei de inverno, passei a amar o verão.
