É uma questão de privilégio!

Além da confusão com as estatuetas de melhor filme, não devemos esquecer que este foi o ano em que Casey Affleck ganhou o Oscar de melhor ator. Alguns dias após a sua indicação ao Oscar, surgiu na internet a informação de que ele havia sido acusado de assédio sexual por duas mulheres. 
Assim que fiquei sabendo disso foi impossível não relacionar esse fato com outro recente caso que envolvia o ator e diretor Nate Parker. Porém, a indústria cinematográfica avaliou de diferentes maneiras os dois fatos. Vou explicar um pouquinho o caso de Nate Parker: 
Durante a campanha de lançamento do filme O Nascimento de Uma Nação, filme que retrata a história de Nate Turner, um escravizado norte americano que organizou uma revolta contra os senhores de escravos. Uma história de seu passado veio a tona, as acusações de estupro contra Parker foram suficientes para que alguns críticos e outras pessoas influentes no mundo do cinema hollywoodiano organizassem um boicote ao filme, que ironiza o “clássico” do cinema que leva o mesmo nome. 
O Nascimento de Uma Nação foi um filme de Griffith considerado por muitos o percursor na maneira hollywoodiana de fazer filmes, porém seu conteúdo é completamente racista e propaga a ideia de que a Ku Klux Klan foi uma entidade importante e heroica para a restruturação dos Estados Unidos após a guerra de secessão. Embora todos esses fatores racistas o filme é um dos queridinhos das entidades de cinema e só não ganhou um Oscar porque na época ainda não havia a premiação. 
O que quero dizer com esses fatos é que essa não foi a primeira vez que Hollywood ignorou fatos para exaltar a técnica e também que quando você é branco e seu filme não arranha um sagrado clássico do cinema tudo bem você pode ser premiado