coisas da vida que acho bonitas

eu sempre tive dificuldade em ver beleza em multidões pouco dispersas ou descrições escassas, embora ainda apaixonada pela simplicidade e pelo mais ilegível vocabulário (e ainda assim nunca encontrei forma de te descrever à altura)

de te explicitar toda a grandeza do sentimento de lar que trilha todos os meus neurônios quando revivo teu cheiro mesmo em dias ociosos em que quero afundar o rosto em abismos para não mais me reerguer

(e, a respeito dos abismos, eu jurava não existir muito a se fazer — até cruzar com o riso mais apaixonante que eu já pude ter a dádiva de descobrir)

eu ainda escolheria tua tempestade

eu ainda escolheria tuas chuvas mais árduas

antes de qualquer pôr do sol passageiro

ainda escolheria a melodia que meu coração toca quando abraça o teu,

e essa é a coisa da vida que acho mais bonita

(e faço questão de te lembrar que cê é, sem dúvidas, mais uma fascinante beleza da vida – mesmo quando me ri um riso tímido e não põe tanta fé)

porque nosso amor é essa explicação indistinguível mesmo – mas que não pende isoladamente em amar somente teu intelecto ou tua carne. eu amo o som que tua risada faz quando termina e quando se funde com a minha. amo teus braços que me enlaçam como se eu fosse a floreira mais tênue na qual cê já tocou. amo todas as cores que preenchem tua íris e amo a forma que você me olha – como se me apresentasse o significado do amor mais puro e bonito que eu já pude compreender. e eu percebi que amo todos esses teus detalhes inextricáveis sempre que cê me entrega tua companhia. percebi que amo todos os teus planos quando consigo, sem impasse, me enxergar neles. cê é a forma mais pura e cristalina quando penso na essência do amor e lembro-me disso todas as vezes que te sussurro nossas três palavrinhas – com cuidado e toda a mansidão que faço questão de te ceder.

eu vi flores crescerem nas minhas extremidades mais obsoletas quando você chegou

e ainda pretendo frutificá-las

por muito,

muito tempo, meu amor