banco 01247
vácuo, nenhum som, pernas imóveis, corações galopantes, vômito na garganta e transbordo de emoção.
uma sensação de estar nú, cru, puro e absoluto.
eu entrei numa máquina de teletransporte e agora eu me ‘des’encontro completamente perdida no tempo. eu já nem sei se existe tempo.
eu me apaixonei, cada átomo meu sabia e reconhecia você. eu não te vi, eu te senti, eu já te conhecia. presença doce, calma, uma familiaridade estranha, tão certa, tão cruel e tão sincera.
era você alí e sem precisar de palavra eu te chamei e você veio, você veio.
eu tô tonta, torta, telestransportada pra essa outra dimensão onde a gente conversa palavras jogadas no vento, mas que fazem sentido dentro do nosso único ritmo.
descer a rua te encostando, te sabendo, te sendo, redescobrindo essa alma sua que é tão absolutamente minha que quando não um, me deixa escandalizada de saudade do que eu nem sabia que eu conhecia.
cada milimetro meu tá careca de te esperar a vida toda pra conversar sobre aquele livro, pra ficar cego sob as luzes de neon e agarrados em bancos de praças. com ratos, a lua e seus óculos engraçados, todos rindo estupefatos e suspirantes, aliviados depois de todo o esforço de nos colocar juntos.
eu mudei de dimensão, meus segundos todos foram formatados pra sincronizar, exatamente, com os teus passos.
minha voz gostosa se sente segura e completa dentro dos teus ombros largos, suas mãos descombinadas conhecem decorado o desembrulhar dos presentes que eu não posso deixar de te dar.
meus pés não se mexem pra ir em nenhuma outra direção que não a tua. e você continua repetindo as palavras não ditas pela minha mente bendita, que continua sabendo seu discurso antes mesmo de você sonhar em existir.
você brotou dos meus sonhos, se materilizou em esquinas, em escadas, em entradas. e eu, encantada.
te amando sim. sim! completamente alucidada, embasbacada. descompensada. descompassada. desesperada, esperando pra vida inteira você me entregar girassóis.
eu fui abduzida e quero escolher viver nesse, desse, seu céu cinza que me olha e me enxerga, e que me sabe, e que me sente, e que entende, e que agradece por compartilhar do seu lindo entendimento de que não poderia existir nenhum outro lugar nesse universo que a gente pudesse estar, mas dentro dessa bolha. que nunca foi tão concreta antes de você chegar, na verdade voltar pra mim.
eu te sei e soube e agora a cada esquina que dobra na minha frente, eu grito sufocada uma certeza descabida de que você precisa, só, estar aqui agora, me cheirando, me sendo, me sabendo, me tendo certeza de que eu cheguei depois de umas quantas encarnações?
que seus leões, escorpiões e carangueijos sejam parte do meu aquário. e que nessa nuvem de amor a gente viva infinita e loucamente, subindo e descendo ruas e luas de mãos dadas. que a gente seja e invente e inspire amor e muita gargalhada.
e todas as vezes nas próximas vidas, quando eu chegar perto, você já saiba que sou eu e não poderia deixar de ser.
minhas mãos inocentes rimam com seus olhos cinzas. seus girassóis movem pra onde mudam as minhas fases da lua.
e eu continuo te sendo, até que o universo te dobre nas esquinas de tudo que eu vivo e nem sei.
see you soon!


