2016: O ano Nerd (e para os Nerds)

Em 2015, meu artigo de conclusão de curso para o MBA em Gestão Estratégica de Negócios foi sobre o Mercado Nerd. No dia da minha apresentação, lembro que minha orientadora ainda estava perdida com o tema e uma parte do meu “público” olhava com um certo ar preconceito.

Com o bom humor e uma apresentação de slides fora do padrão, consegui reverter o quadro. Meus argumentos provaram que realmente que este nicho estava crescendo e merecia uma atenção especial. O resultado foi a aprovação da meu artigo e dever cumprido com a minha comunidade.

Um dos pontos que foquei durante o meu trabalho é como Hollywood está colaborando para que o Mercado Nerd cresça a cada ano. De repente os estúdios descobriram que as histórias em quadrinhos são ótimos roteiros, mesmo aqueles não tem os famosos heróis da Marvel ou da DC Comics.

É caso de “Kingsman: O Serviço Secreto”, “V de Vingança”, “Sin City”, “Watchman” “A Liga Extraordinária”, “Red”, Scott Pilgrim Contra o Mundo” e muitos outros.

Espero que quem tenha assistido a minha apresentação tenha visto algumas matérias sobre o tema e tenha dito: “Não é que aquele rapaz tinha razão?”

Quando eu apresentei o meu trabalho, eu não imaginei que meses depois o “Star Wars: O Despertar da Força” iria arrecadar mundialmente US$ 1,9 bilhões. Mesmo não relacionado diretamente ao mundo dos quadrinhos, mas faz parte da esfera nerd, e ficou em terceiro lugar entre os filmes mais rentáveis.

E agora em 2016, teremos mais uma avalanche de longa metragens inspirado em HQs. E recentemente, tivemos um ótimo exemplo que esses filmes não precisam ser apenas para crianças e adolescentes para ter público.

Com classificação etária para maiores de 18 anos nos Estados Unidos (aqui no Brasil, recomendado para maiores de 16 anos), “Deadpool” bateu o recorde de bilheteria para o público adulto nos Estados Unidos e em vários outros países.

Lógico que a campanha de marketing do filme produzido pela Fox ajudou bastante, mas conseguir passar de US$ 135 milhões é para poucos. E esse é apenas o primeiro da lista de heróis que vão estar nas telonas neste ano.

Março será marcado por um duelo bastante aguardado: “Batman Vs Superman: A Origem da Justiça” será uma resposta da Warner/DC Comics ao sucesso dos “Vingadores” da Marvel. Juntar dois personagens tão emblemáticos com certeza atrairá um grande público.

Em maio, os mutantes retornam em “X-Men: Apocalypse” e teremos “Capitão América: Guerra Civil”. As estreias acontecem com poucas semanas de diferença, mas trazem grande personagens da Marvel.

Até o final do ano, ainda teremos a estreia de “As Tartarugas Ninja 2” (junho), “Esquadrão Suicida” (agosto), Gambit (outubro), Doutor Estranho (novembro) e “Star Wars: Rogue One” (dezembro). Vale a pena mencionar também “Animais Fantásticos e Onde Habitam” (spin-off de Harry Porter, novembro).

Obviamente, no meio destes lançamentos, não será apenas a indústria do cinema que vai conquistar muitos lucros. Diversos outros produtos são criados para reforçar a campanha de divulgação.

Por exemplo, as lojas de brinquedos ainda são estão cheias de bonecos (action figures, para os “nerds profissionais”) inspirados nos personagens do Star Wars. E mesmo meses depois do lançamento, ainda podemos encontrar os personagens de “Vingadores: A Era de Ultron”.

Outros produtos como camisetas, canecas, chaveiros são lançados paralelamente. Além do mercado “paralelo” que se aproveita da onda para ganhar mais um pouco sem pagar os direitos autorais. Quem nunca viu uma camisa do Capitão América na 25 de março?

Em muitos casos, os jovens também começam a ser interessar por… quadrinhos. Eles vão atrás das histórias originais, compram as revistas e abrem a mente para um universo ainda maior. Tudo isso, para a alegria das editoras que deram origem a tudo isso.

No final, o mercado se mantêm aquecido e dá força para novas produções. Claro que muitos especialistas em cinema acreditam que em breve a “onda dos super heróis” irá perder a força. Mas até lá, o sonho de muitos nerds serão realizados com mega produções.