Review — Vagabond Vol I e II

A Panini Comics vem presenteando os fãs da cultura japonesa com o lançamento de diversos mangás famosos. Mas desta vez ela conquistou uma parcela mais adulta desse público ao relançar o Vagabond.
A obra do mangaká Takehiko Inoue adapta o romance Musashi de Eiji Yoshikawa para o mundo dos quadrinhos japoneses. Por meio de belos traços e uma história envolvente, a publicação traz a história do lendário samurai Miyamoto Musashi, considerado um herói nacional na Terra do Sol Nascente.

Com uma narrativa muito mais dinâmica e bem diferente do livro, Vagabond é uma excelente história sobre samurais e o modo de vida de quem seguia o código de ética do Bushido. Assim, o mangá torna-se uma forma de se aprofundar e conhecer melhor os costumes e hábitos do Japão Feudal.
Nas duas primeiras edições que foram lançadas pela Panini, é possível acompanhar a vida do jovem rebelde Shinmen Takezo. Sobrevivente da Batalha de Sekigahara, o protagonista precisa voltar a sua vila mesmo com a desonra de ter ficado vivo após lutar pelo exército derrotado.
Ao lado de Hon’Iden Matahachi, ele enfrenta diversos desafios para continuar seu caminho. Contudo, seu companheiro o abandona em um determinado ponto para viver com uma mulher pelo qual se apaixonou.
Ao chegar à sua terra natal, Takezo é recepcionado de forma bastante conturbada. A mãe de Matahachi não aceita que o filho não tenha retornado para casa e acusa o protagonista de ser o culpado. E assim, ele torna-se alvo de uma caçada que envolve lutas contra camponeses e oficiais do senhor feudal.
Entretanto, é capturado pelo monge zen-budista Takuan Soho, importante personagem ao longo do mangá, que dá uma nova chance para o herói da história. E assim começa realmente a lenda de Miyamoto Musashi.
Ao longo da jornada de Takezo, a violência estará bastante presente. Cenas de mutilação e sangue jorrando são bem comuns ao longo desta história. Tudo está dentro do contexto do roteiro e não são apenas imagens gratuitas. Contudo, nada foi censurada nestas primeiras edições e o material recebeu classificação etária para maiores de 18 anos.

Por possuir uma linguagem mais adulta do que as outras publicações, o mangá tem uma estrutura muito parecida com os quadrinhos americanos. Ou seja, os fãs de “comics” não sentirão tanto diferença e terão uma ótima experiência. Provavelmente, apenas estranharam a leitura de trás para frente tipicamente japonesa.
Os dois primeiros volumes dessa reedição estão muito bem organizados. Para quem não está familiarizado com a linguagem utilizada no Japão Feudal, no final de cada título possui um glossário com várias explicações e até detalhes sobre alterações na tradução do japonês para o português.

A impressão em um papel de qualidade valoriza bastante os traços de Inoue. O mangaká tem um extremo cuidado com cada quadro, com cada rosto e outros detalhes que aparecem em cena. E isso rendeu a ele o Prêmio Eisner de melhor escritor/autor em 2003 pelo trabalho em Vagabond.
Por todo o contexto histórico por trás do mangá e o cuidado que a Panini está tendo com esse título, o valor de R$ 17,90 é bastante justo. Cada volume possui aproximadamente 250 páginas, um ótimo tratamento de imagem e encadernação. A edição dois ainda vem com um pôster colorido de Musashi como brinde.
Como eu disse antes, essa não é a primeira vez que Vagabond é publicado no Brasil. No começo dos anos 2000, o material foi lançado pela editora Conrad. Em seguida, New Pop deteve os direitos, porém colocou algumas edições nas bancas e depois cancelou o mangá. Um grande desrespeito com o título e com os leitores
Agora, a Panini consegue fazer um trabalho bastante caprichado e valorizando a excelente obra que tem em mãos. Pois, ele não é um mangá simples. Essa é uma publicação que reconta a historia de um dos maiores ícones da cultura samurai. E Vagabond sempre mereceu ter um cuidado bem especial no Brasil. Então, obrigado Panini Comics por prestar esse serviço.