#FreeKesha: O feminismo quando lhe convém

Hoje a tarde, no meio da chuva escandalosa de São Paulo, a notícia: Kesha perde a liminar contra Dr Luke e continua presa por contrato com produtor. As notícias eram seguidas de fotos da cantora chorando durante o julgamento.

Para quem viveu numa bolha nos últimos anos ou simplesmente não se importa com o mundo de Divas Pop, um resumão do que rolou: Em 2014, Kesha precisou ser internada com distúrbios alimentares, pois Dr Luke, seu produtor, fazia questão de sempre incitar problemas em seu corpo, inclusive que estava acima do peso. Além disso, ela também o acusa de assédio sexual e psicológico, dizendo que ele a drogou e violentou.

No começo do processo, a Sony, sua gravadora, tentou fazer um acordo para que ela continuasse produzindo músicas pela marca, mas sem o Dr Luke. Kesha recusou. Ela só quer sua liberdade.

Agora me diz: Se a Kesha, famosa cantora americana, não está conseguindo a atenção e suporte merecido para seu caso, como ficam as milhões de mulheres que são estupradas todos os dias? Aquelas que tentamos, através de campanhas, convecê-las de que denunciar é o certo e que não devem ter medo? Que a verdade sempre ganha?

Se continuarmos tratando estupro dessa maneira, apenas com provas irrefutáveis (vou colocar uma GoPro na minha cabeça), menos mulheres terão coragem de denunciar. E é assim que, mesmo sem querer, incentivamos o estupro, o segredo, a mais mulheres serem agredidas, fisicamente e psicologicamente.

Acho muito legal quando mulheres ganham estatuetas em premiações ao redor do mundo e, na hora de fazer discurso, batem no peito e mostram o quão feministas são.

Mas onde elas estão agora?

Não vi uma celebridade apoiando a Kesha até agora. Cantoras, atrizes, artistas em geral: ninguém. Não, não estou dizendo que não tem. É uma questão de tempo aparecer mensagens de apoio de amigos da área (espero).

Deixando bem claro que não acho que celebridades, só por serem desse mundo, são obrigadas a prestar solidariedade e apoio. Tem artistas que nunca expressam opinião sobre nenhum assunto midiático e isso é ótimo para imagem delas. Porém, todavia, entretanto, acho muito fácil fazer discursos e parar por aí.

#vamosfazerumescandalo A Kesha tá fazendo. O resultado? Ela continua ligada por lei ao seu estuprador, não pode produzir nada nesse meio tempo (acabando com sua carreira), além de muitas mensagens de ódio contra sua pessoa e história.

A Kesha não quer muito. Ela pede para ser liberada do contrato que tem com o produtor sueco desde 2008. Ela não tá pedindo milhões de dólares. Ela só quer poder voltar a compor e cantar músicas animadas, que eu apenas consigo imaginar, não deve ser fácil ao lado de seu abusador.