Deer Diary #1

Eu cresci mais nos últimos meses que na vida inteira. E não é um exagero poético. Aprendi que sou uma ótima companhia. Que ainda que existam pessoas que dispensem os meus esforços, existirão outras que apreciam meus desastres. Aprendi que não sou um dançarino exímio, mas que posso dançar da forma como quiser. Que tá todo mundo ocupado demais fazendo a sua própria coreografia

Percebi que os dias são todos cinza, eles começam assim e vão terminar assim. As cores a gente quem projeta naquela tela branca que a gente enxerga. Uns dias as cores são claras, felizes, outros dias são escuras e a imagem fica turva. A gente é o picasso da própria vida e, portanto, consegue sempre borrar tudo e recomeçar. Piscar, olhar para o lado e pronto! Uma tela nova. Um frame novo.

Aprendi que escolher uma vencedora moral (que conteste os oficiais) para cada temporada do meu reality favorito, quer dizer que preciso aprender a lidar com as decisões da vida, acreditar na beleza de cada final.

Entendi que as pessoas vão ir embora. Que eu vou ir embora, talvez os caminhos se cruzem novamente. Mas até que isso aconteça, cabe a mim contemplar a beleza das paisagens que cada um escolher pra si.

Sabor preferido de sorvete, estilo de roupa/música, programas de TV, lugares. Tudo isso muda. Mas a essência, que é aquele ponto vermelho pulsando no peito esquerdo, ela permanece. Mudam-se as estações, mas é tudo sempre sobre ser quem se é de verdade. Quem se nasceu pra ser.

Enxerguei que levantar a cabeça e “seguir em frente” não é tão fácil como dizem. Mas é tão necessário quanto parece.