Cor

E foi quando tomaste de mim

a minha cor

Que eu não soube mais o que fazer.

Pegara sem nem mesmo eu entender

E saíste assim, de maneira a não se interessar.

Perdido no vasto branco da solidão eu me encontro

E resolvo fechar as portas de meu coração

A quem ou qualquer ser que possa vir à querer tê-lo.

Perdido, eu me acocorei, estremeci e vibrei

Como uma corda projetando uma nota sofrida no piado de um poeta.

Tentei fechar, estancar a ferida com fogo e ferro à trezentos graus celsius

Mas o meu coração ainda ficou a mostra

E por quê?

Em minha volta há uma barreira

de medo, medo de me entregar, apaixonar, e de amar novamente

E fiquei assim, quase que meditando meus ais.

Foi quando você apareceu. E eu nem notara.

Devagarinho foi curando a ferida

E desmanchando a negativa barreira em minha volta

Com toda sua linda e chamativa cor.

Quando chegaste ao limite, eu acordei.

Percebera que o erro era querer ter toda sua cor somente para mim

Como um rei absolutista governa um país.

Mas o amor não é assim.

É social, recíproco, legal e gostoso de se dar e receber.

E não só de receber.

Você deixou-me claro isto

E agora sou tão colorido, tão cintilante quanto você

Já que outrora fomos uma só cor.

De súbito eu te abracei

Você estranhou, mas eu continuei

Fizemos daquele vasto branco de solidão

um arco-íris de cerrar os dentes.

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