Energia

De pernas cruzadas
Trago este cigarro
Enquanto espero o ônibus
Que perdi à pouco.
Um pigarro,
Um cara sem carro,
Observando as caras,
Dos Homens Feitos de Barro.
Um casal passa em frente
Ao banco em que estou sentado,
E o homem recita um poema
Que é difícil
Por mim
De ser lembrado;
Eu poderia copiá-lo
E recitar um de meus poemas
Para alguém que eu goste;
Entretanto meus lamentos
São só inventos, pois
Amador, eu sou.
O céu está com uma cor azulada,
Nebuloso,
Com um toque estelar.
Pareço sentir sentimentos
Que não são meus, que são
Derivados do medo,
Da angústia e do prazer
De ideias mórbidas, mortas e
Que já deveriam ter sumido de meu pesar.
Mas é que vejo
Alguém parecido com o seu jeito de estar
E fico assim, sem noção
Do que tenho em mãos.
Hoje a noite não tem luar
E me deixa a pensar
Que necessito dela
Para fazer o meu sofrer passar,
Para que ela renove minhas energias
Para que ela retome minha alegria,
E tire de mim
Todo pensamento ruim,
Que eu tenho e que chegarei à ter
Pois não é certo de, assim, viver.
Às vezes penso
Que envelheci rápido demais
E que fico a encher os demais
Com meus lamentos sem ideais.
Escrevo sobre o que sinto,
Escrevo sobre o que eu gosto,
E sobre o que eu não gosto;
Sobre minha percepção da vida,
Sobre minha capacidade de acolhida.
Escrevo para me livrar
Do sabido carnaval
Que está para chegar,
Este me faz delirar
Quando tenho a ciência
De que casais estão à se separar
Por brigas, intrigas e pela falta de amar.
Mas, o que é o amor?
Se com este
Eu só pude sentir dor?
Queria eu obter
Um alguém para finalmente me deter
Destes pensamentos horripilantes
Que chegam como águias rasantes
Quando estão com vontade de comer.
Minha meta é ser feliz
Mesmo quando estou a viver por um triz
Quando decido me entregar por completo
À quem tem o coração de concreto.
Eu mesmo já o tive
Embora agora sou mais sentimental que ela
E ela é tão livre, tão leve, tão singela
Tão leve quanto a brisa na janela…

E eu sou quase nada,
um cavaleiro sem sua espada,
sem sua armada,
sem sua amada.
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