A Pixar estava morta, mas volta a respirar.

A Pixar teve uma era ruim, que se iniciou imediatamente após Toy Story 3 e aparentemente foi até o pavoroso O Bom Dinossauro. Carros 2 é ruim, embora não tanto quanto digam, Valente é fraco, apesar de Merida ser uma personagem incrível, Universidade dos Monstros é uma blasfêmia, Divertida Mente é mal executado, pouco original, enfadonho e desrespeitoso com quem realmente tem problemas psicológicos e O Bom Dinossauro é um lixo.

Novas sequels vieram: Procurando Dory é ótimo, e Carros 3 está sensacional. Eu sabia que a franquia Carros não seria revivida se não fosse para consertar erros, por isso, criei grandes expectativas e não fui frustrado. A forma com o filme fala sobre sucessão é linda. É uma história cujos personagens principais são máquinas que vão sofrendo o impacto do avanço tecnológico, o que é cronologicamente correto, já que 11 anos se passaram desde a estréia do primeiro filme e os avanços da indústria automobilística são reais e palpáveis para quem assiste. Graças a este terceiro filme, Carros não vai envelhecer (ao menos por enquanto).

Relâmpago McQueen e Cruz Ramirez

Cruz Ramirez é uma personagem INCRÍVEL e serve como retratação da Pixar também em relação aos movimentos sociais. Afinal, carro é coisa de menino, então o corredor será homem, assim como todos os personagens que ocupam lugares de poder, e as personagens femininas terão funções atribuídas ao feminino (embora transgressora por sua personalidade forte, Sally tem função de par romântico e apoio moral).

O filme dá a quem acompanhou aquilo quando criança uma sensação parecida com a de “Toy Story 3”, embora um pouco mais agridoce: o tempo passa, a gente cresce e tudo muda.

Isso tudo é pra dizer que, como fã da Pixar desde criança — sou obcecado pela marca desde Toy Story, e desde Toy Story 2 não perdi a semana de estréia de nenhum exceto Up!, que foi lançado no auge de minha aborrecência — começo a perdoar os mil erros causados provavelmente pela demanda de um filme por ano e falta de polimento das histórias. A magia vive, embora não esteja em seu auge.

Que venha Coco — que já começou mal pelas polêmicas envolvendo apropriação cultural e pelo trailer pouco cativante — para nos mostrar se a Pixar voltou ou apenas é boa em continuar histórias de sua era de ouro.