Locadoras são substituídas pela NETFLIX em São Borja

Locadoras são-borjenses vem perdendo espaço para serviços de filmes da internet, como o Netflix. Três locadoras fecharam nos últimos anos, demonstrando a perda de público para esta nova opção. Em entrevista, o cineasta Ricardo Linhares ressaltou o que estes aplicativos representam para a história do cinema. “Representam um avanço em termos de acesso aos filmes. A mídia se democratizou de forma tamanha, nunca vista antes. Mas ao tempo, há os interesses da indústria, mas ao mesmo tempo ela favorece a Netflix. Embora que não tenha de ser em detrimento do sucesso de um filme, sucesso de público, de críticas, ou de qualidade.”

Para o estudante Maurício Neves, locadoras costumam cobrar um valor mais alto e são poucas práticas. Assim ele considera mais rápido e acessível recorrer a aplicativos da internet. Para ele, aplicativos como Netflix são economicamente viáveis. Além disso, ele considera que estes apresentam um catálogo com diversas opções de filmes, além de trazerem mais informações acerca do filme, algo que sempre chamou a atenção de Maurício.

Para Rosy Gale, proprietária da locadora Vídeo Mania, as locadoras desta cidade estão sobrevivendo pelo fato da cidade não ter cinema e outros atrativos da área. Rosy está há dezenove anos no negócio, tendo entrado na era do VHS, que foi substituído pelo DVD. Recentemente ela também trabalhava com o Blu-ray. No auge de seu negócio, “Locávamos quatrocentos filmes em um sábado, um trabalho cansativo, porém que valia a pena.” Para ela, além da Netflix, sites de filmes na internet, as próprias cópias, as antenas “Sky gato”, são as principais responsáveis por esta queda. Vale ressaltar que estas três últimas são ilegais. Rosy está vendendo grande parte de seu acervo, investindo noutras áreas de seu negócio. Mesmo assim ela ainda pretende continuar disponibilizando os filmes em lançamento.

Isto está em conformidade com o que defendeu o cineasta Ricardo Linhares, de que este não é o fim da era dos DVDS e Blu-rays. Para ele, estes ainda podem se popularizar com o surgimento de novos softwares. A visão de Ricardo se baseia no destino dos discos de vinil, que sobreviveram mesmo com a chegada dos CD’s, MP3, e diversos aplicativos como Spotify. Assim o cineasta conclui: “Vai durar ainda um tempo.”

Ricardo também ressaltou em sua entrevista a origem das locadoras. “As locadoras surgiram nos Estados Unidos nos anos 1960, com o intuito de popularizar o acesso aos filmes, levando-os à casa das pessoas. Funcionou por grande tempo. No Brasil não foi diferente. Desde os anos 1980 estão presentes. Entretanto, a indústria de cinema não é forte no Brasil, apesar de ter havido um avanço nos anos 1990, principalmente com filmes como Carlota Joaquina. As locadoras passaram a locar mais filmes, o público foi criado, formação de plateia e incentivos federais.” 
 Para ele, ainda há a nostalgia dos filmes, de ir ao espaço físico de uma locadora, como também foi definido pela empresária Rosy. “A locadora é algo bom, que atrai famílias, em especial as crianças que gostam de apenas olhar a imensidão de filmes.” “As locadoras fomentam a cultura da mais alta qualidade, e espero que isso continue”, afirmou Ricardo Linhares.

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