[ #anotacoes ] Lean Thinking for Disruptive Innovation

Sempre que participo de palestras, conferências, aulas, eu tenho a mania de anotar tudo. Nem sempre volto às anotações mas o ato de escrever faz com que eu memorize as informações de forma mais fácil. Por isso tenho alguns cadernos cheios de folhas escritas guardados aqui em casa. Agora vou tentar transformar em textos o que for mais interessante ou eu quiser guardar, para diminuir a quantidade de papel em casa :D

Um workshop que fiz em 2015 com a Pat Reed foi bastante marcante. Lembro que na época tinha acontecido em São Paulo um evento sobre Agile, e alguns dos palestrantes foram dar workshop na empresa onde eu trabalhava. O que me espantou deveras é que as duas palestrantes eram mulheres, e senhoras! Num mundo onde encontrar mulheres já não é suuuper comum, imagine encontrar mulheres não exatamente jovens. Fiquei surpresa de forma bastante positiva (a outra palestrante foi a Mary Poppendieck).

Mary Poppendieck & Pat Reed

A mudança para métodos ágeis já trouxe uma enorme melhoria na maneira como os produtos e serviços eram desenvolvidos, pelo menos em minha experiência. Perto de métodos como waterfall, desenvolver pelo processo do scrum era uma maravilha: leve, rápido, colaborativo. Mas conforme os próprios processos foram evoluindo, outras variáveis foram sendo incorporadas ou ressaltadas e os métodos foram melhorando. O lean apresenta aspectos que se aproximam demais do design thinking, o que torna o processo todo muito mais eficiente e mais centrado nas pessoas.

O tema do workshop era Lean Thinking for Disruptive Innovation e o que tinha me chamado muito a atenção foi exatamente o enfoque que a Pat deu sobre as pessoas.

Primeiro, por que ágil?

  • Por que Agile? Para aumentar nossa capacidade de produzir melhores serviços e experiências para nossos clientes. Não é uma questão de se aprender um novo processo mas sim tornar a empresa à frente das demais. Estarmos à frente da curva.
  • Ficando melhor e melhor: Agile é aprendizado contínuo. Quanto antes entregamos valor, mais rápido nós aprendemos. Criar valor para nossos clientes, o mais cedo possível e com a maior frequência possível. Perguntar-nos todos os dias: como estamos indo?
  • Foco na qualidade. Manter simples e leve e ter o mínimo de processo. Não é sobre seguir um livro de receitas mas entender o espírito.
  • O perfeccionismo nos segura para trás.

Remova o excesso, aprenda com rapidez

  • Plano que aborde o problema e a ação. A3: melhor que PPT. Explique tudo num A3.
  • Remova os obstáculos, torne a vida das pessoas mais fácil. Limpe o caminho. Mantenha simples, mantenha curto. Elimine o desperdício.
  • Sem desculpas e sem culpados: nos segura para trás a cultura das desculpas e dos culpados.
  • Analise o que realmente entrega valor para os clientes. Se não cria valor, pare de fazer. Fique melhor e melhor para surpreender o seu cliente.
  • Ciclos curtos: quanto mais curto, mais fácil para agir. Faça menos para alcançar mais. Quanto mais rápido o ciclo de aprendizado, mais rápidas são as respostas. Como posso validar a hipótese o quanto antes?
  • Planeje continuamente: planeje o tempo todo. Replaneje: estamos fazendo a coisa certa? Cheque o plano o tempo todo. Aprender e mudar mais rápido que nossos concorrentes.
“Old maps hold us back”

Pessoas, pessoas, pessoas

  • Liberte a criatividade de todos. Faça com que todos se sintam seguros para darem o seu melhor. Ambiente seguro. Seguro para falhar e aprender. Falhar rápido, ser audacioso. Inspirar a mudança.
  • A inovação real acontece nas interações entre pessoas. Ferramentas e processos estão a serviço das pessoas e não o contrário.
  • Charts/canvas grandes e vísiveis. Mapas estratégicos grandes e visuais.
  • Compartilhe responsabilidades. Pare de ser executores de tarefas. Entenda os clientes.
  • Foque no futuro, não no passado. Conquiste os corações e mentes desenhando o futuro, seu próximo horizonte. Estamos aqui para desenhar o futuro juntos.
  • Você deixa as pessoas para trás quando você não cocria. O espírito do grupo: todos se ajudam.
  • Mude a forma de aprender. A colaboração diária é importante. Cocriação é a chave.

Como?

1- Comece com o porquê (TED Talk do Simon Sinek)

2- Forneça uma visão clara (qual o nosso norte)

3- Defina os parâmetros de sucesso e como vocês irão medir

4- Implemente um modelo de valor que priorize decisões e investimentos.

5- Crie times cross-funcionais e auto-organizados.

Inspire a liderança
Empodere as pessoas
Delegue autoridade

Evite o desperdício

  • Não tolerar defeitos (focar nos processos, não nas pessoas). Muda, Muri, Mura.
  • Construa qualidade desde o início com:
    - Jidoka: automatizar processos repetitivos
    - Poka yoke: mecanismos à prova de erro
    - Stop the line: parar a linha de produção e corrigir pela raiz (5 porques).
    - Just in time: faça o necessário e apenas isso!

Entregue valor

  • Mapeie o fluxo de valor: quais etapas geram valor para o cliente e quais não. Compreender nossa capacidade: trabalhar com análise da capacidade produtiva.
  • Cone da incerteza: no começo, o grau de incerteza é grande e conforme trabalhamos, a certeza aumenta, mas por mais que você conheça, nunca chegará a 100%.
  • Reorganize o fluxo para otimizar o valor e mitigar riscos.
  • Limite o trabalho em andamento (work in progress)
  • Ajustar tamanho dos lotes de entrega

Cinco princípios do Lean Thinking

(link para PDF original)