Lego, uma brincadeira séria

Se você veio aqui para entender tudo de Lego® Serious Play®, eu começo dizendo que não sou nenhuma especialista. Fiz um workshop rápido de 3 horas para matar minha curiosidade — sim, poderia ter lido um livro, mas dessa vez não deu e fui direto ver qual é que era. Aqui conto um pouco da experiência e do que registrei do workshop.

Em resumo, o Lego Serious Play é uma técnica para facilitação do pensamento, da comunicação, resolução de problemas para grupos em desafios reais, focada em motivar a exploração de ideias e inspirar inovação.

A proposta é que, de forma lúdica e quase intuitiva, o método crie engajamento (entre as pessoas envolvidas e com o assunto abordado), desbloqueie o conhecimento e também quebre o pensamento convencional.

O processo se baseia em 4 pilares:

  1. Construção: “nos tornamos mais comprometidos com aquilo que construimos”. O objetivo é materializar a ideia, o conceito e criar maior entendimento ao visualizar.

2. Metáfora: nos ajuda a compreender e a memorizar o conhecimento (maior absorção).

3. Storytelling: nos permite explorar temas complexos e delicados.

4. Imaginação: nos liberta de filtros e pré-conceitos para criar algo novo.

A atividade lúdica realmente é bastante eficiente para criar conexões e aproximar as pessoas (já tivemos essa experiência em outras oportunidades, mas não com Lego). Acredito que o “brinquedo” ajuda a quebrar barreiras de aproximação, descontrai as pessoas, faz com que elas se sintam mais à vontade.

Mas não sou artista!

Outro aspecto que achei bastante interessante é que o Lego consegue ser um instrumento muito adequado para a expressão individual. É comum em atividades de cocriação, por exemplo, as pessoas ficarem meio paralisadas em frente de uma folha em branco. “Desenho? Escrevo? Mas sou péssimo em desenho! Será que essa ideia/pensamento/achado vale o registro?” são algumas das reações quando a gente vai trabalhar com um crazy eights ou mesmo rascunhar uma persona ou jornada.

O Lego é algo que as pessoas podem trabalhar (elimina a “folha em branco”) mas ao mesmo tempo é neutro o suficiente para que as pessoas montem o que quiserem. É uma forma de superar a barreira da habilidade. O aspecto visual, obviamente, não é importante, mas sim o significado.

Outro ponto interessante é o incentivo à construção desde a etapa inicial. Construir o que entendemos do problema, construir o que enxergamos como a maior dificuldade, escolhendo peças de forma quase inconsciente, faz com que a crítica e o consciente não atrapalhem no processo. A crítica, o nível de exigência pessoal, o “senso comum” do que é bom podem ser fatores que bloqueiam a criatividade.

Dessa forma, consegue-se estimular a abstração sobre as questões levantadas, indo além da superfície concreta. Quanto mais consegue-se abstrair, mais saímos da resposta comum (ou da primeira resposta) e mais começa-se a explorar outras alternativas. A abstração está diretamente ligada com a imaginação, a criatividade.

A construção é parte do processo e todo o tempo fomos estimulados a construir, de maneira rápida e sem muita racionalização. Depois tínhamos a reflexão, o momento onde começamos a buscar a racionalização para cada detalhe que incluímos. Nesse ponto o trabalho do facilitador é quase o de um psicólogo, estimulando cada um a contar sobre sua “obra” nos mínimos detalhes.

Pensar com as mãos

O trabalhar com as mãos, o pensar com as mãos, é um dos pontos fortes do processo. A metodologia tem um fundamento em estudos de neurociência, que afirmam que as mãos são a parte do nosso corpo que mais se liga ao cérebro. Por isso, elas são tão eficientes e rápidas em expressar o inconsciente ou subconsciente.

As mãos encontram significados e respostas e a construção vai fazendo com que os significados apareçam.

Confiem nas mãos.

Por fim…

Se por um lado a metodologia não inventa a roda, ela reforça conceitos interessantes. Quem já trabalha com processos colaborativos de criação e Design Thinking, por exemplo, já está familiarizado com muita coisa.

Uma das perguntas que não tive tempo de fazer (infelizmente tive que sair antes de acabar, por um atraso de programação) foi se com a certificação de facilitador vem um super kit da Lego ou subsídio para comprar, já que as pecinhas são bem caras aqui no Brasil (e a certificação também). Já fiquei pensando numa versão mais acessível, o 25demarço-serious-play :D

Sobre o workshop

Para os que tiverem interesse e curiosidade, fiz o workshop com o pessoal da Smart Play. Eles possuem um Meetup onde avisam dos encontros. Eles também oferecem a certificação de facilitador da metodologia, que custam salgados U$ 3.400.

PS: de acordo com a minha filha, Lego não é uma brincadeira séria :D

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