Jun Matsui #010

Um filme de Andre Ferezini

Hoje vou indicar o um curta-metragem cinematográfico por Andre Ferezini, que retrata o trabalho, o estilo de vida de Jun Matsui, tatuador brasileiro com grande reconhecimento e influência na cena underground de todo o mundo.

Encontrei esse documentário no YouTube, fico muito feliz que um filme como essa mestreia audiovisual esteja disponibilizada gratuitamente.
O filme foi produzido por Andre Ferezini diretor residente em São Paulo focado em assuntos fora da cultura mainstream brasileira. Atualmente, ele atua como diretor na produtora Vetor filmes.

O filme está disponível em português, com legendas em inglês ou japonês.
Curta foi divulgado pela Revista Sang Bleu em Londres onde foi lançado o filme, Andre conta ficar feliz com o lançamento nessa cena, pois o filme possui características “do it yourself” em sua produção, ideologia do movimento underground, que liga diretamente com o publico londrino.

O documentário demorou 5 anos para ser produzido, Andre conta que esse tempo não foi por causa da quantidade de filmagens, mas porque ele foi filmado aos poucos, e que a ideia era registrar uma transformação do Jun Matsui, sendo o documentário um recorte a sua imersão em uma cena.

“Foram várias sessões. Na primeira, conversamos, na segunda ele desenhou no meu braço com caneta, e só na terceira entraram as agulhas”

E de tanto imerso que enquanto se tatuava com Matsui que o diretor Andre Ferezini decidiu fazer um filme sobre ele.

Jun Matsui tatua a mão livre (free hand) e tem um traço único que segue de forma harmônica e intuitiva o contorno do corpo de seus clientes, o que faz de cada tatuagem ser uma peça original, exclusiva e alem do autor ser um dos profissionais mais respeitados do brasil.

Jun é nippon ou seja filho de japonês com uma pernambucana, nasceu em recife, e viveu no japão de 1990 a 2007, aprendeu o oficio da tatuagem com Horiyoshi III, e entender e respeitar os significados e rituais ancestrais da tatuagem nipônica.

Durante a adolescência, Jun vivia no Jaguaré, dizia ser muito solitário, andava de skate e só pensava em sair do Brasil. “Queria ir para a Califórnia, mas não tinha dinheiro. Assim que fiz 18 anos fui até uma agência de empregos na Liberdade e me inscrevi para uma vaga na fábrica da Toyota, em Nagoya”, ele conta também que o trabalho lá era muito pesado.

“Embarquei com US$ 100 que ganhei de um tio e gastei US$ 40 para comprar um boné no aeroporto.” O emprego na montadora durou apenas seis meses, até que com incentivos a tatuagem passou a ocupar o tempo de Matsui no Japão.

“Quando alguém vem tatuar comigo, ou está em sua plenitude, ou está completamente perdido”

Existe um termo em japonês que se chama Tebori que significa gravar, entalhar com a mão, foi por muito tempo uma técnica utilizada no japão final do século 18 começo do século 19 para fazer tatuagens.
Matsui diz ter aprendido com Horiyoshi 3º que o tattuador é um artesão, não um artista.

Horiyoshi 3º diz que não haverá um Horiyoshi 4º, porque hoje a tatuagem se banalizou e se distanciou do ofício tradicional que aprendeu com seus mestres.

É bom saber que aqui no Brasil ainda existe um tatuador como Jun, que mantém viva a essência dessa arte.


Hoje eu tentei fazer um conteúdo diferente, textos assim precisam de mais pesquisa, e não sei se consegui passar a história corretamente, mas espero que tenham gostado.

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