Arquitetura Neoclássica: Um Guia Definitivo

“Acordo cedo, já cansado do peso da semana, mas ainda disposto para mais um dia — um último dia antes do sonhado descando. Banho-me e preparo o café, afinal, ainda tenho tempo de sobra. Como moro em Curitiba, a brisa gelada e o céu branco como uma folha de papel já são parte de minha rotina, logo é natural agarrar-me a um casaco antes de abrir a porta. Demoro a sair, mas ainda tenho tempo, tempo o bastante para caminhar tranquilamente.

Esqueço-me do tempo, antes tão importante, assim que dou o primeiro passo. Falo comigo mesmo, num debate acirrado em minha mente acerca de meus problemas e suas soluções, meus medos, meus desejos, meus sonhos. Ganho velocidade ao adentrar na grandiosa Rua Itupava, a essa hora tão deserta quanto cidade de faroeste no ato final do filme, e ganho também uma nova ocupação: observar. Há uma diversidade igualmente grandiosa nessa cidade, até mesmo nessa hora do dia, logo não é difícil encontrar ricos, pobres, negros, brancos, homens de gravata, mulheres de vestido, mulheres de gravata e homens de vestido dividindo as calçadas, todos orbitando seu próprio universo de problemas e soluções, medos e desejos, seu próprio universo de sonhos. Intrigo-me, morrendo de vontade de ler suas vidas como se fossem um capítulo de meu livro favorito, e assim vou, conspirando comigo mesmo sobre a vida alheia, como minutos antes fazia com meus problemas.

Já chego ao meu destino, e logo todos os universos por onde viajei se tornam ecos de memórias das caminhadas de sábado de manhã.”

Escrevi essa crônica para um projeto em meu colégio, e ela tem alguns pontos interessantes que me motivaram a postá-la aqui, com o intuito de ver se alguém consegue ver todos os “easter-eggs” que essa crônica possui. Boa sorte procurando.