Praticar a presença. Presenciar a prática.

Indo ao trabalho, 2 horas de trânsito. No trabalho, atividades são repetidas a exaustão. Indo para casa (ou, em muitos casos, para a faculdade), 1 hora de trânsito. Em casa, após uma refeição exagerada e/ou demais prazeres que prometem balancear o dia estressante, umas boas 6 horas de sono o aguardam.

Domesticamos nossa mente para pensar em recompensas futuras, confabulações as mais diversas, fantasias neuróticas e tudo mais.

Tudo, menos permanecer no momento presente. Se temos que aguentar buzinas, motoristas rabugentos e um chefe explorador, que seja uma tortura somente para o corpo. Deixemos a mente navegar em outros mares.
E ingênuos seguimos sem o aviso de que, quanto mais tempo passamos em devaneios no oceano, mais traiçoeiro ele se torna. Afinal, se vivemos a maior parte dos dias em pensamentos, quem está vivendo nossa vida?

Tu és barco e à deriva está.

Nas práticas marciais milenares como, por exemplo, o kung fu, são realizados treinos de calejamento. Abdômen, coxas e antebraços sofrem socos e chutes. Criando esse atrito, esse stress no corpo, fibras e mais fibras são quebradas para que, em nosso sono, se reconstruam e fortaleçam.

Se concebermos os momentos indesejáveis como um treino de calejamento para a presença e fizermos as atividades cotidianas com terna atenção, fortaleceremos esse estado a ponto de vivermos as mais diversas situações de forma consciente, sejam elas negativas ou positivas.

Outro benefício dessa prática é que, quando atentos ao que estamos fazendo, não mais nos dopamos de pensamentos e fantasias que distorcem o aqui e agora.

Sendo assim, pergunto: Sóbrio(a) de quaisquer distrações que nublem sua realidade, que mudanças estariam implorando para serem feitas?

Não é tarde para praticar essa arte. Não é tarde para dar norte à embarcação.

Nunca é tarde.