fase ruim, sai de mim

As costas chegam a doer de tanto se inclinar sobre a escrivaninha, os cabelos caem, a geladeira fica vazia, as flores morrem, as mãos tremem, você se deita e os olhos se fecham como se fosse impossível descansar até que o despertador toque.

Você sai de casa para morar sozinho e os dias passam com a vagarosidade do gotejar de uma torneira velha. As pessoas que você ama te dizem palavras de incentivo que em um momento te afagam e em outro entram totalmente em choque com as imposições da vida pós maioridade. Você se vê em uma situação que sempre quis estar até realmente conhecer. Você cresceu.

Medo de escuro, medo de morrer, medo de silêncio, medo de montanha russa. Você passa a ignorá-los porque teme outra coisa: não superar suas próprias expectativas.

Você se cobra, chora, têm cefaleia. Calmantes, meia caneca de chá, banho quente, luminária acesa até às 3:00 e sono inconstante. Ninguém te contou que você já fez mais do que deveria pra se sentir orgulhoso de si?

Levanta a cabeça, pensa no quanto você já caminhou, vive cada dia de uma vez. Sua saúde mental importa mais do que a resenha que você não terminou de escrever para a universidade.

Sorria mais a cada manhã em que está junto de seus amigos e também nas que está completamente só, dê mais risada (seu sorriso é lindo), respira o ar puro das árvores do lugar que você mora, viva.

Viva hoje, amanhã e a semana seguinte lembrando que o mundo pode parecer ter acabado mas seu despertador vai tocar, suas costas vão ter parado de doer, a angústia vai cessar e sua vida vai ter valido a pena simplesmente por você ter guardado as impiedosas expectativas na gaveta da escrivaninha.

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