anti-depressivos, toma chá, chora não

Hoje fui dormir às cinco da manhã, faltei à aula, a comida do almoço me caiu mal e já sei, de antemão, que o dia será improdutivo. Lavei a louça, sequei as mãos ensopadas e, antes de tudo isso, tirei a aliança do dedo anelar para evitar sua oxidação precoce.

Não é a aliança a única que se oxida.

Quanto mais tempo se passa, quanto maior se torna a pilha de louça suja, quanto mais rápido caem meus cabelos e quanto mais curtas ficam minhas unhas, mais certeza tenho de que minha mente adoece.

O ar que respiro faz mal ao meu cérebro. Talvez esse seja o paradoxo da minha vida.

Como o ouro que escurece e a prata que esverdeia, minha mente cai em colapso e, sem que eu perceba, o ar que me mantém viva se encarrega de alimentar o meu sofrimento.

Enquanto eu viver, minha ansiedade, insegurança e medo vão estar aqui sendo alimentados pelo oxigênio. E sinceramente, o que mais eu posso fazer?

Anti-depressivos, toma chá, chora não. Quem diria que minha rotina poderia ser definida com a ajuda de tão poucas vírgulas? Parece até aquele filme bi cromático em que Chaplin faz o papel de um operário que todos os dias desempenha religiosamente a mesma função.

Enquanto não desvendam o segredo da não-oxidação do cérebro, eu fico aqui esperando pelo sono regular, pelas ofertas da farmácia e, sem sombra de dúvidas, pelo chá das oito e meia.

Já te disseram que em Marte tem pouco oxigênio?

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