anti-depressivos, toma chá, chora não

Luzi and Honeybee
Aug 29, 2017 · 1 min read

Hoje fui dormir às cinco da manhã, faltei à aula, a comida do almoço me caiu mal e já sei, de antemão, que o dia será improdutivo. Lavei a louça, sequei as mãos ensopadas e, antes de tudo isso, tirei a aliança do dedo anelar para evitar sua oxidação precoce.

Não é a aliança a única que se oxida.

Quanto mais tempo se passa, quanto maior se torna a pilha de louça suja, quanto mais rápido caem meus cabelos e quanto mais curtas ficam minhas unhas, mais certeza tenho de que minha mente adoece.

O ar que respiro faz mal ao meu cérebro. Talvez esse seja o paradoxo da minha vida.

Como o ouro que escurece e a prata que esverdeia, minha mente cai em colapso e, sem que eu perceba, o ar que me mantém viva se encarrega de alimentar o meu sofrimento.

Enquanto eu viver, minha ansiedade, insegurança e medo vão estar aqui sendo alimentados pelo oxigênio. E sinceramente, o que mais eu posso fazer?

Anti-depressivos, toma chá, chora não. Quem diria que minha rotina poderia ser definida com a ajuda de tão poucas vírgulas? Parece até aquele filme bi cromático em que Chaplin faz o papel de um operário que todos os dias desempenha religiosamente a mesma função.

Enquanto não desvendam o segredo da não-oxidação do cérebro, eu fico aqui esperando pelo sono regular, pelas ofertas da farmácia e, sem sombra de dúvidas, pelo chá das oito e meia.

Já te disseram que em Marte tem pouco oxigênio?

)

Luzi and Honeybee

Written by

poetizing the world in Portuguese

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade