A dificuldade de aceitar o fim talvez seja um dos principais problemas que enfrentamos. E nem digo nos tempos modernos, desde sempre né.

As pinturas rupestres eternizadas em cavernas, estrelas mapeadas como indicações divinas dos caminhos que tomaremos no além vida, essa busca eterna de continuidade nos seres descontínuos que nós somos. Nascemos sozinhos e morreremos sozinhos, mas não aceitamos isso, caçamos na religião um fio que nos mantenha para sempre conectados.

Aliás, “conectados”, em tempos de interne, é a palavra ideal. Aquela correria cotidiana que nos faz dar fim antes mesmo de começar, mas obviamente já dando início a algo novo. Tudo descartável, porém imediatamente renovável, substituível.

Uma vez falando sobre a morte e cemitérios rolou numa simbologia da nossa dificuldade de aceitar o vazio do fim: as flores de plástico. Flores tem sua beleza efêmera e são usadas para homenagear aqueles que tiveram finda sua existência. Mas buscamos um tantinho de tempo a mais numa flor artificial, sem graça, com aquela cara opaca inerte ao vento. Perdemos em esplendor, perfume, pra ganhar tempo. Pra que tanto tempo? Até flor morrendo tem sua beleza, adoro uma foto que chamei de “triste fim do girassol de apartamento”.

Pois é, a gente tentando trazer um cado de beleza natural para nossa vivência enclausurada, o que não dá lá muito certo quando estamos cercados de prédios e paredes encobrindo o sol.

Enfim, pensei nessas coisas porque ouvi um samba do Fundo de Quintal com o sugestivo nome de Lucidez, que tinha um verso “é tão bom se querer sem saber como vai terminar”. Lúcido né. Vai terminar? Sim. Como? Agora não importa. Até lá… vamos se querendo.

Todo fim tem seu carnaval.

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