Uma boa maneira de conhecer melhor o próprio corpo e cabeça é através de exercício físico. Eu estava sem correr há um tempo, parado entre gripe, dor no tornozelo e desleixo, então a balança não perdoou e agora to tirando o prejuízo.

Tinha voltado a correr semana retrasada, num ritmo mais leve de reintrodução, então nessa semana já quis pular pra um ritmo mais forte. Preciso emagrecer, não tá fácil, a necessidade me empurra

Bem, eu não meço em quilômetros, vai por tempo: eu corria 22 minutos com 6 tiros intervalados, agora fui pra 36 minutos com 8 tiros. Os 22 minutos eu corria já botando a língua pra fora no último tiro (corro na areia fofa da praia, pra não me acharem tão morto assim), logo eu pensava que não aguentaria pular para 36 minutos com mais 2 tiros.

Com esse visual fica mais fácil.

Mas vamos lá, esperar sentir o corpo pronto não adianta, há a necessidade de forçar primeiro para então o corpo se adaptar ao novo ritmo. E a corrida se deu numa pegada parecida. O mesmo cansaço que sentia no 6° tiro eu senti agora. Mas eu sabia que teria que correr mais.

E é aí que a cabeça entra, você se adapta porque você precisa. Antes o corpo já se entregava, pois sabia que era o fim. Agora o fim ainda está um pouco distante, faltam 2 tiros e sua cabeça entende que precisa forçar um pouco o limite anterior. Caso contrário eu ia ficar pelo meio do caminho ainda um tanto longe de casa, atrasado pra me arrumar pro trabalho. Então seu corpo se mantém num estado de alerta e não se entrega. Os dois tiros restantes ocorrem com relativa tranquilidade, algo que eu não imaginaria na semana anterior.

Em muitos momentos da vida não nos sentimos prontos pra um desafio maior, só que jamais estaremos prontos, essa é a verdade. Estar pronto é uma ilusão. A gente precisa se jogar e vamos nos adaptar àquela nova realidade.

Leap of faith, certas situações não podem ser manejadas no aguardo de um ciclo, de conclusão de processos. Você precisa romper, sair da pura razão que te tira da ação. É importante pesar prós, contras, especular consequências e avaliar meios necessários, mas nem tudo está ao alcance da racionalidade. Então faça, pule, corra. Ao longo do caminho vai sentir dificuldades, sair da zona de conforto nunca é moleza, mas você é capaz de mudar padrões para se adaptar. Nunca mudamos porque queremos, mas porque precisamos mudar. Só aí vamos nos perceber capazes de percorrer uma distância maior. E verá que nem é tão maior assim, que a ilusão de dificuldade que criamos é surreal.

E a conquista desse novo espaço é uma injeção de ânimo, você vai vai se sentir capaz de tudo, a auto-estima vai lá em cima. Tô louco pra correr amanhã.

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