Lições aprendidas com o fechamento da Blueye

Um sábado qualquer no Techmall

No dia 29 de janeiro de 2015 estava voando de volta ao Brasil, cheio de esperanças e sonhos. 
Depois de passar 6 meses morando nos EUA, estudando no Florida Institute of Technology pelo programa Ciências sem Fronteiras, recebemos um investimento de aproximadamente R$ 120K para fazer a Blueye acontecer.
Voltava com orgulho por ter conseguido essa oportunidade. Por estar realizando um sonho de abandonar a faculdade para viver o sonho de empreender, me sentindo um Bill Gates, Zuckerberg ou Steve Jobs. Indo contra a opinião de muitos, com o risco de receber uma multa de 50K de dólares por ter abandonado o programa sem autorização, voltei.

Uma passagem rápida por SP para ver minha família e Natal para planejar o ano com meus sócios, me mudei para Belo Horizonte. 
Era mais que um sonho! Era o CEO mais novo na aceleradora, convivia com a equipe do Uber em BH, conheci Nivio Ziviani — professor foda da UFMG que já vendeu duas empresas, sendo uma para o Google — e estava cercado de pessoas muito fodas e sabia que iria aprender muito, e talvez tornar a Blueye uma empresa milionária. 
Contratamos gente boa, fechamos contrato com grandes empresas, conhecemos o Vale do Silício, mas no final de 2015, depois de várias coisas, percebemos que a Blueye era um negócio inviável e decidimos descontinuá-la.

Hoje, aproximadamente um ano depois, escrevo para contar um pouco do que aprendemos durante esse processo.

1- Investimento — Não significa que agora sua empresa vai dar certo. Quando você não se preocupa tanto com o dinheiro, você tende a gastar mais do que precisa. Como consequência, a grana vai escoando e quando você percebe, acabou.

2- Sócios — Esteja alinhado desde o início. Alinhamento não é só conversa. É colocar no papel a responsabilidade de cada um, diminuindo assim o risco de interpretações divergentes.

3-Equipe — Contrate devagar e demita rápido. Contrate apenas os profissionais que realmente você precisa e que estão alinhados com os valores da empresa. Caso você perceba depois que a pessoa não é o que você precisa, não tenha medo de demitir. Caso contrário, você vai pagar um preço muito caro.

4-Eventos — É legal estar presente, participar dos treinamentos, happy hours e etc. Mas tudo isso exige tempo e dedicação. Tempo é o recurso mais importante que você tem, então antes de aceitar um convite, pense no ROI e no que você está deixando de fazer para ir a esse evento. Algumas vezes, ir pra casa dormir é mais produtivo.

5-Conselhos — Ouça apenas de quem já fez. Entenda a experiência de cada um e apenas ouça os tópicos que eles realmente são bons e já fizeram grandes coisas. Caso contrário, ambos estão perdendo tempo.

6-Humildade — Não tente provar que você é foda em algo que não é. Seja humilde e procure ajuda ou pessoas para compor seu time nos pontos que você não se garante.

7-Data Driven — Se você toma decisões sem ver os dados, você está tentando ser uma mãe Diná. Mesmo não lhe agradando, os números nunca mentem.

8-Prêmios — Te deixam orgulhoso, mas não te dão dinheiro. Clientes sim! Então participe de competições por contratos, não troféus.

No extrato final eu vejo que foi a experiência mais foda que tive até hoje. 2015 foi o ano que mais aprendi e sou muito grato por tudo que aconteceu.

O Techmall foi uma escola e tanto! Uma equipe muito foda como o Aluir, parceiro de cerveja e cigarro que me ensinou a fazer um bom pitch e me mostrou Ouro Preto (cidade foda). Ju Saldanha, que me dava feedbacks sinceros (que várias vezes não gostava) e me fizeram crescer muito. Ju Rizola, que acompanhou de perto todos os altos e baixos. Carol, parceira de todos os dias e todas as comidas gordas! Vinícius que me ensinou muito organização e finanças. E a todos os empreendedores do Techmall que compartilhavam as vitórias e os fracassos. 
Sou fã do San Pedro Valley! Comunidade foda que se ajuda muito e os números estão provando o resultado dessa sinergia entre os empreendedores, Sebrae, Aceleradoras, Universidades e fundos de investimento.

Sou muito grato à minha equipe que mesmo nos momentos ruins continuou trabalhando com sangue nos olhos. Gabriel, garoto prodígio e pau pra toda obra, que ficou conosco por mais de um ano e mesmo tendo 18 anos, vendeu e executou como gente grande. Lucas, nosso front end que fez muito mais que isso também com 18 anos (e metido a lutador). Luis Philipe, que entrou no final mas acreditou em nosso sonho e também contribuiu muito, até corrigindo nosso banco de dados depois de chegar de uma balada.

Aos meus sócios, que acreditaram em mim (talvez até demais) e permitiram que eu vivesse essa experiência. Rodolpho, que idealizou a Blueye, ralou e se ferrou muito para tirar esse sonho do papel. Fico muito feliz em ver a Interage produzindo vídeos de qualidade e crescendo cada vez mais. Samuel e Italo que conseguiram o investimento inicial, criaram a Mandaca.ru, onde tudo começou. Fico muito orgulhoso em ver a SGS Soluções expandindo fora do RN e a equipe que vocês montaram. Agradeço por me contratarem como consultor em 2013 e me ensinado muito durante toda essa jornada.

Enfim, "foi bonito foi, foi intenso foi". Na real foi foda. 
Estou em uma nova jornada com o Klipbox e o espírito empreendedor continua tomando conta de mim. Sei que novos erros serão cometidos, é parte do processo, mas a meta é não cometer os mesmos erros. Não me tornei o Zuck, Gattes ou Jobs, mas entendi que minha missão é ser um Álvaro cada vez melhor.

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