DA PORTA PRA DENTRO

Não é bipolaridade nem dupla personalidade

Sou só euzinha, sozinha, me adequando aos lugares

Da porta pra dentro crente e branca, branda

Da porta pra fora a negritude e o arco-iris se externam em mim

Lutadora das causas e aberta pro mundo

Depois de atravessar o umbral me deixo florir

Entro em casa viro um machinho

O símbolo da casa nunca me fez sorrir

Da porta pra fora eu sou eu

Do umbral pra dentro eu sou o que fazem de mim

Eles associam o diabo à minha raça e a Ogum,

Já morreram 50,

Se eu falar vou ser só mais um

Coloca roupa de macho, corta logo esse bombril

Fita crepe na minha cara,

Cadê meu andar viril?

Como pode uma Vênus ser tão contida assim?

Da porta pra fora eu sou eu

Do umbral pra dentro eu sou o que fazem de mim

Mas do lado de fora encerram-se as lamúrias

Reina o doce cheiro da felicidade

Não que eu tudo seja perfeito

Mas as imperfeições são ofuscadas pela autonomia sobre sí

Parece meio utópico mas não é bem assim

É mágica a sensação de ter todo o direito sobre mim

Eu não sei até quando me esconderei, aguardo ansiosa pelo estopim

Da porta pra fora eu sou eu

Do umbral pra dentro eu sou o que fazem de mim

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