Ampulheta de sensações

Acho extremamente incrível a tensão que move minhas mãos no momento que desejo escrever sobre despretensão. Sim, minhas mãos tremem e eu sequer entendo o motivo, ignoro e sigo na felicidade mais boba. Não nasci há dez mil anos atrás como Raul Seixas, mas há tempos não me sinto tão bem, mesmo com tantos pequenos detalhes nas costas. É uma felicidade sem precedentes, aparentemente não é um sorriso roubado por condutas de amor. É uma despretensão com gostinho de inveja e sabotagem em admiráveis doses de cautela, que me fazem pensar o quão calculista e insano é um homem, mesmo estando de bem. Nas últimas semanas andei lendo Schopenhauer e Nietzsche, são palavras duras que me fizeram encarar nuvens como se fossem pedaços de concreto e a vida como coisa muito parecida, por isso o gostinho de cautela.

O gostinho de inveja aparece em seguida, sei que essa paz\felicidade é algo temporário e aparece aleatoriamente, afinal por mais que a vida conceda rugas, ela não é inteiramente triste.Rugas na verdade são o preço de sorrisos escandalosos para avisar aos presentes que o sujeito sorridente é um sujeito persistente. Rugas também são resultados do ato de cerrar os olhos para encarar o sol, afinal a vida é um coisa complicada e a gente acaba perdendo a noção se fala primeiro sobre perigos, traições ou catástrofes . Falando assim até parece que gosto de abarcar o mundo com a mão direita, mas não é nada disso, sequer tenho expectativas definidas por completo. Sou um eterno parênteses em aberto, como disse Machado de Assis. Viu só como as coisas são complicadas? E olha que não mencionei a famosa tríade Deus, política e futebol. A vida é mesmo uma coisa insana, mas somos um amontoado de células e é bobagem tentar ter coração de ferro e coluna de guindaste.

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