E-sport? Esporte?

Como estudante de jornalismo em uma época que vemos jornais impressos fecharem e redes sociais serem principal fonte de informação de muita gente, faço parte de uma geração que vê o tradicional indo embora e dando lugar ao novo e criativo.

Mas não estou aqui pra falar sobre a mudança do jornalismo, resolvi escrever sobre algo que em geral — no Brasil — me incomoda: ESPORTE.

Se eu te pedir pra me citar um esporte, muito provavelmente o primeiro que virá na sua cabeça será o futebol. Talvez basquete, talvez ciclismo, muito talvez xadrez. Mas sem dúvida, o “esporte rei” do Brasil é o futebol.

Provavelmente por não ter sido criada em uma família fanática por futebol, por meus pais não torcerem para nenhum time e por não conviver com pessoas fãs desse esporte, eu nunca compreendi o porquê de tanta visibilidade do futebol na mídia. Afinal, para que um bloco inteiro do Fantástico pra detalhar cada passe das partidas? Por qual motivo eu separaria uma grande parte do jornal de horário nobre, pra dizer que Fulano de Tal tomou falta?

Principalmente depois de aprender os conceitos de “valor-notícia”, “relevância jornalística” e as variadas formas de escolher o que será “pautado”, eu comecei a me incomodar muito com a prioridade que o futebol tem na vida do brasileiro e, principalmente, na mídia (que, teoricamente, deveria noticiar o que é mais útil para o público).

Para mim, o vôlei, a natação, o tênis, e os e-sports (sim, já chego lá) deveriam ter tanto espaço na mídia como o futebol. Até porque, vejo todos como esportes. Todos mudam vidas, todos desenvolvem habilidades, todos ajudam no sentido social. Mas, essa não é a realidade. A realidade sempre foi: futebol, futebol, futebol, olha só um lutador de UFC, futebol, futebol, campeão de natação, futebol. E ZERO e-sports.

Os e-sports, pra quem não sabe, são os esportes eletrônicos ou, resumidamente, jogos. (Ajude na redução do textão e dê uma googlada aí). A intenção aqui é dizer:

Que FELICIDADE, ver um programa jornalístico renomado e de grande audiência, como o PROFISSÃO REPÓRTER, fazer uma edição inteira sobre e-sports. E o melhor, falando de forma séria, mostrando que a atividade é uma profissão, que esse mercado gira milhões de dólares no mundo e tem relevância sim na nossa cultura. Aperte a primeira carinha vermelha quem nunca passou um tempo com um “joguinho” eletrônico (candy crush também conta)!

E, muito além de um programa com jornalismo universitário (jovem), o Campeonato Mundial de League of Legends também foi transmitido em canais como SPORTV, ESPN, foi matéria destaque no G1, entre outras tantas inserções midiáticas, que dão muito orgulho.

Felizmente, essa realidade se estende a outras modalidades esportivas, a outros games e a todo o universo esportivo que temos atualmente. E vendo isso, me orgulho cada vez mais de fazer parte de uma geração que não se importa com as prioridades e regras de seus antecessores, e quer fazer um jornalismo (e consequentemente uma população) mais inclusivo e mais justo.